O prefeito Zohran Mamdani propõe usar US$ 70 milhões para abrir cinco mercados com preços até 30% abaixo do varejo. A medida mira aliviar custos, mas há dúvidas sobre como evitar revenda em massa e falta de estoque.
O prefeito de Nova York, Zohran Mamdani, está propondo uma iniciativa que visa usar recursos públicos para tornar os alimentos mais acessíveis aos moradores da cidade. O plano inclui a abertura de cinco mercados subsidiados, com um investimento previsto de US$ 70 milhões, permitindo preços até 30% abaixo do que é praticado no varejo.
Contudo, essa proposta já levanta questionamentos importantes. Se os produtos forem vendidos a preços significativamente inferiores aos dos estabelecimentos privados, como evitar que consumidores comprem grandes quantidades para revendê-las? Essa pergunta foi levantada a Mamdani durante uma coletiva de imprensa realizada em 27 de julho. O prefeito defendeu que o programa foi concebido para ajudar os nova-iorquinos a garantir comida na mesa, e não para gerar lucro por meio da revenda.
A presidente interina da New York City Economic Development Corporation, Jeanny Pak, comentou que a administração está considerando a implementação de um mecanismo semelhante a uma “carteirinha de biblioteca” para controlar o acesso às compras nos mercados subsidiados.
A proposta de Mamdani gera um paralelo com a experiência da Venezuela, onde, em 2003, o então presidente Hugo Chávez lançou o Mercal, uma rede estatal de venda de alimentos subsidiados, que inicialmente conquistou popularidade entre a população. Em 2005, mais de 70% das famílias venezuelanas afirmavam adquirir pelo menos um produto nesses estabelecimentos, que ofereciam descontos significativos, chegando a até 62% abaixo do preço de mercado.
Preços vistos na Amazon em 24/08 e sujeitos a alteração. Como Associado da Amazon, recebo por compras qualificadas.
No entanto, a diferença de preços criou incentivos para a revenda. Com o tempo, surgiram denúncias de desvios de mercadorias e práticas de favorecimento. O Mercal, que começou como um programa popular, foi se transformando em um sistema marcado por filas, controles e limitações de compra, levando a uma diminuição da sua aceitação entre os consumidores.
O artigo também ressalta que a proposta de Mamdani terá apenas cinco unidades em uma cidade que conta com mais de 1,1 mil mercados e 10 mil bodegas. Além disso, os estabelecimentos municipais serão operados por empresas privadas, que estarão sob a fiscalização de órgãos públicos, imprensa e sociedade civil. Essa diferença estrutural é um ponto importante na comparação entre as duas iniciativas.
O ex-diretor da Venezuela, Hugo Chávez, é uma das inspirações dos socialistas, e a comparação entre os programas levanta questões sobre o que acontece quando o governo estabelece preços baixos o suficiente para gerar demanda que supera a oferta. Mamdani tem feito do custo dos alimentos uma de suas principais bandeiras políticas, apresentando os futuros mercados como exemplo de que políticas socialistas podem funcionar em uma das maiores economias urbanas do mundo.
Entretanto, a experiência da Venezuela mostra os desafios que podem surgir ao longo do caminho. A transformação do Mercal, de um programa popular a um sistema de filas e cotas, levanta a questão: até que ponto Nova York conseguirá evitar incentivos econômicos semelhantes?


