O ministro da Saúde, Alexandre Padilha, utilizou suas redes sociais para anunciar o lançamento da primeira caneta emagrecedora, classificada como “100% nacional”. Durante a gravação, realizada nesta semana, ele destacou a importância dessa conquista para a saúde pública, referindo-se ao feito como um avanço significativo para a soberania do Brasil na área da saúde.
No entanto, o discurso oficial não mencionou que a base do medicamento é produzida na Europa, dependendo, portanto, de insumos importados. De acordo com informações divulgadas, a produção do ingrediente ativo necessário para o funcionamento do remédio ocorre na Sérvia.
A farmacêutica EMS apresentou o medicamento genérico Ozivy em 27 de maio, dois meses após a queda da patente do Ozempic, um medicamento que se tornou bastante conhecido. A diretoria da empresa também seguiu a linha de marketing do governo, promovendo a nova caneta como um grande avanço da produção nacional.
Entretanto, um relatório interno da farmacêutica, elaborado em abril e destinado ao mercado, contradiz a narrativa de total autonomia apresentada pelo governo. O documento confirma que o Insumo Farmacêutico Ativo (IFA), essencial para o efeito emagrecedor da caneta, continuará a ser importado da Sérvia por um período indefinido.
O insumo, que é fundamental para o funcionamento do medicamento, é produzido pelo laboratório Galenika, uma antiga estatal da extinta Iugoslávia, localizada em Belgrado. Em 2017, a empresa brasileira NC adquiriu as instalações do laboratório, e, segundo Carlos Sanchez, proprietário da farmacêutica, a produção da semaglutida é realizada por técnicos estrangeiros na Europa. No Brasil, o trabalho se limita a acabamentos, montagem e envase do produto em tubos plásticos.
