Estela Aranha determinou que a emissora não exibisse o púlpito vazio do presidente no debate e aparece em vídeo nas redes declarando: 'Eu voto em Lula no segundo turno' e 'Voto 13.'
A ministra do Tribunal Superior Eleitoral (TSE) Estela Aranha, que proibiu a TV Globo de mostrar o púlpito vazio do presidente Luiz Inácio Lula da Silva no debate desta quinta-feira, 1º, fez campanha em favor do então candidato petista nas eleições de 2022, mostram registros que circulam nas redes sociais.
Em vídeo divulgado online, a ministra aparece declarando voto e defendendo o impacto da vitória do petista. No material, Estela diz expressamente:
“Eu voto em Lula no segundo turno”
“Voto 13.”
No mesmo conteúdo, segundo a própria ministra, há argumento voltado a colegas da advocacia sobre a competência do candidato para conter um suposto agravamento autoritário. Em trecho citado, ela afirmou que, “como advogados”, não haveria outra opção além do petista para “estancar o aumento do autoritarismo” e defendeu a preservação do Estado Democrático de Direito. Ainda segundo o vídeo, Estela disse que os advogados deveriam votar em Lula “inclusive para salvar o próprio sistema de Justiça”.
A posição da ministra gerou críticas por parte de opositores, que entenderam que a decisão de impedir a exibição da cadeira vazia poderia ter tido por objetivo proteger o presidente de eventuais críticas e impactos negativos à sua campanha à reeleição. A magistrada, por sua vez, justificou que a exposição do assento vazio poderia produzir efeitos não condizentes com a ausência do candidato.
A decisão do TSE foi proferida horas antes do debate, que acabou sendo cancelado pela emissora responsável após outra determinação judicial alterar a configuração do programa: o decano do Supremo Tribunal Federal, Gilmar Mendes, determinou a presença de Renan Santos (Missão) no encontro. A empresa citou insegurança jurídica e interferência na liberdade de organização do debate ao justificar o cancelamento.
O senador Carlos Viana (PSD-MG) criticou a atuação da ministra. Segundo o parlamentar, Estela teria sido indicada por Lula ao cargo, teria trabalhado no governo petista, atuado como secretária durante a gestão de Flávio Dino no Ministério da Justiça e realizado doações a campanhas do PT e do PSOL. O senador acrescentou questionamento sobre a imparcialidade das decisões recentes:
“Dois pedidos em dois dias. Dois atendidos. Isso é juíza ou é torcida?”
O episódio reacende debate sobre limites entre posicionamentos pessoais e atuação de autoridades eleitorais, assim como sobre a condução e a segurança jurídica de eventos eleitorais organizados por emissoras e pela Justiça Eleitoral.
