Brasil bate recorde histórico de endividamento em abril de 2026. Juros altos, crédito rotativo e apostas online pesam no bolso das famílias sergipanas e de todo o país.
O Brasil alcançou, em abril de 2026, o maior índice de endividamento das famílias desde o início da série histórica da Pesquisa de Endividamento e Inadimplência do Consumidor (Peic). Segundo dados da Confederação Nacional do Comércio de Bens, Serviços e Turismo (CNC), 80,9% das famílias brasileiras relataram ter algum tipo de dívida.
Esse aumento significativo no índice é impulsionado por diversos fatores, entre eles a alta taxa de juros, o crescimento do uso do crédito rotativo, a pressão do custo de vida e o aumento das apostas online, que têm impactado diretamente o orçamento doméstico. A situação de endividamento acende um alerta sobre os impactos econômicos e sociais do superendividamento, que já afeta o crescimento econômico e a capacidade de investimento das famílias.
Em resposta a esse cenário alarmante, o Congresso Nacional discute medidas para aumentar a proteção aos consumidores endividados e fortalecer programas de renegociação de dívidas, como o Novo Desenrola Brasil, relançado em maio deste ano. Para o senador Flávio Arns (PSB-PR), a implementação de propostas estruturais é essencial para evitar que milhões de brasileiros fiquem presos em ciclos de inadimplência.
“Em um país com os juros mais altos do mundo, precisamos avançar em mecanismos permanentes de proteção às famílias e em políticas de educação financeira para evitar o efeito bola de neve das dívidas”, afirmou o senador.
Por outro lado, o senador Rogério Marinho (PL-RN) argumenta que os programas de renegociação de dívidas não são suficientes para enfrentar a questão estrutural do endividamento no país.
“O primeiro Desenrola levava em consideração a possibilidade de haver uma troca de dívidas antigas por dívidas novas, com taxas de juros melhoradas. O resultado é que, dois anos após, o calote do que foi renegociado cresceu 15%”, comentou Marinho.
O mês de abril também registrou um marco crítico, com 29,7% das famílias apresentando contas em atraso. Embora a inadimplência tenha se mantido relativamente estável em comparação ao ano anterior, 12,3% das famílias afirmaram que não terão condições de quitar suas dívidas.
A situação de endividamento é agravada pelo alto custo do crédito. Conforme dados do Banco Central, as taxas de juros do cartão de crédito rotativo podem variar entre 428% e 440,5% ao ano, sendo a principal causa de endividamento para 83,6% das famílias, comprometendo 54% da renda familiar.
“Essa grande parcela de dívidas acumulada no cartão, a modalidade com a maior taxa de juros do mercado, freia a intenção de consumo das famílias”, explicou a economista Catarina Carneiro, da CNC.
Outras modalidades de crédito também apresentam taxas alarmantes: o cartão parcelado tem juros de 181,2% ao ano, enquanto o cheque especial e o crédito pessoal não consignado ficam em torno de 130% e 106,6%, respectivamente. Mesmo a taxa de crédito livre médio para pessoas físicas está em 59,4% ao ano.
Para o economista Rodrigo Saraiva Marinho, o problema dos juros elevados está vinculado ao desequilíbrio das contas públicas. “Não há como falar sobre esse tema sem abordar o nível de endividamento do próprio Estado brasileiro”, afirmou.
“Os juros altos praticados historicamente no país constituem o principal fator de crescimento da dívida pública”, destacou Maria Lúcia Fattorelli, coordenadora nacional da Auditoria Cidadã da Dívida.
