Minerais críticos criam empregos verdes na América Latina ao colocarem a região no centro da cadeia de valor da transição energética, afirmam especialistas reunidos no Seminário Internacional Energia, Integração e Soberania, no Rio de Janeiro.
Minerais críticos criam empregos verdes na América Latina
A abundância de minerais críticos – como lítio, cobre e terras raras – coloca países latino-americanos numa posição estratégica para produzir baterias, painéis solares e turbinas eólicas. Dados da Agência Internacional de Energia indicam que 45% das reservas globais de lítio e 30% de cobre estão no continente, sobretudo em Argentina, Bolívia, Brasil, Chile e Peru.
Para o ex-ministro colombiano Andrés Camacho, a soberania sobre esses insumos abre caminho para “empregos de qualidade e redução da dependência tecnológica”. Ele defende que a região avance “além da exportação bruta”, industrializando o lítio até a fase de baterias.
A deputada argentina Cecilia Nicolini segue a mesma linha. Segundo ela, limitar-se a vender minério in natura reduz o poder de barganha: “Precisamos participar da cadeia de valor para negociar em melhores condições”.
Disputa geopolítica amplia relevância regional
O controle dos minerais críticos na América Latina também alimenta a disputa comercial entre Estados Unidos e China. Relatório do Serviço Geológico norte-americano mostra que Washington importa mais da metade do lítio e dois terços dos metais de terras raras que consome. Já Pequim responde por mais de 70% do processamento mundial de lítio e cobalto e por 90% do refino de terras raras.
Em resposta, a Casa Branca reforçou alianças militares e comerciais no continente para conter a influência chinesa, enquanto a China amplia investimentos em mineração e refino na região.
Integração regional como saída
Ticiana Alvares, diretora técnica do Instituto de Estudos Estratégicos de Petróleo, Gás Natural e Biocombustíveis (Ineep), vê na crise global uma oportunidade de “internalizar bens essenciais de forma regional”. Ela cita os fertilizantes: “O Brasil depende de importações, mas Argentina e Bolívia dispõem de gás, principal insumo do fertilizante nitrogenado”.
Para Alvares, cooperações temáticas – e não ideológicas – podem viabilizar polos industriais capazes de fornecer componentes para veículos elétricos e usinas renováveis.
Brasil quer controlar toda a cadeia
O presidente Luiz Inácio Lula da Silva afirmou, em acordo recente com a Espanha, que acesso a todas as etapas de produção dos minerais críticos é “questão de segurança nacional”. Ele recordou ciclos passados – ouro, prata, ferro – em que a América Latina exportou riqueza sem agregar valor: “Não vamos repetir a história com lítio e terras raras”.
Lula sinalizou disposição para parcerias internacionais, desde que o processamento ocorra em solo brasileiro, garantindo emprego verde e tecnologia local.
Especialistas alertam: caso a região não invista agora, será forçada a importar equipamentos de transição energética no futuro, perdendo a janela de oportunidade para geração de renda e redução de emissões.
Em síntese, a posse de minerais críticos na América Latina pode transformar o continente em protagonista da economia de baixo carbono, criar empregos verdes e fortalecer a soberania energética. Para acompanhar outros desdobramentos sobre integração regional, visite nossa editoria Internacional e mantenha-se informado.
Crédito da imagem: Agência Brasil
Fonte: Agência Brasil
