André Mendonça se reuniu com o ministro da Justiça e pediu que a Polícia Federal apure com independência e técnica casos sob sua relatoria, como INSS, Lulinha e Banco Master. Determinou envio dos resultados ao gabinete.
O ministro André Mendonça se reuniu nesta semana com o ministro da Justiça, Wellington César Lima e Silva, e solicitou que a Polícia Federal (PF) atue de forma independente e técnica nos casos sob sua relatoria. Entre os casos mais relevantes estão as investigações sobre a farra no INSS, o tráfico de influência de Lulinha e o Banco Master.
Mendonça avaliou que a PF não estava agindo com a seriedade necessária, especialmente no que diz respeito ao caso de Lulinha. Ele determinou que todos os resultados das investigações em andamento fossem repassados ao seu gabinete e que qualquer troca de delegados e peritos fosse comunicada a ele.
Essa solicitação gerou acusações de interferência no trabalho da PF. Em resposta, o diretor-geral da corporação, Andrei Rodrigues, decidiu solicitar à Advocacia-Geral da União um “remédio jurídico” para contestar a atitude do ministro.
“A credibilidade construída perante a sociedade brasileira decorre da atuação técnica e independente de seus servidores, orientada exclusivamente pelos fatos, pelas provas e pelos mecanismos de controle previstos no ordenamento jurídico. A atividade investigativa da Polícia Federal não se submete a interesses políticos, ideológicos ou pessoais, mas ao estrito cumprimento da lei”, afirmaram os 27 superintendentes da PF em nota de apoio à direção da corporação.
A nota repercutiu na imprensa, mas não mencionou que todos os superintendentes em exercício foram nomeados por Andrei Rodrigues, o que levanta questões sobre a confiança mútua. A proximidade com Rodrigues pode ter influenciado a postura dos superintendentes, que ignoraram o histórico de politicagem que já permeou a PF.
Um exemplo notável foi o caso do dossiê que tentou incriminar o político José Serra em 2006. Embora o partido envolvido e seus líderes se desvinculassem do caso, evidências surgiram posteriormente, apontando que o dinheiro utilizado na compra do dossiê estava ligado a um esquema envolvendo a empreiteira Odebrecht.
O encontro entre Mendonça e o ministro da Justiça foi intermediado pelo Advogado-Geral da União, Jorge Messias. A relação entre Mendonça e Messias, que teve apoio de Mendonça para sua indicação ao STF, pode ter ajudado a suavizar a situação após o pedido de ação legal.
Entretanto, o ministro do STF precisa estar ciente de que, do lado do Executivo, não há interesse em aprofundar as investigações sobre Lulinha, especialmente em um período eleitoral. A situação é ainda mais complicada com o envolvimento de Marcola, ex-chefe de gabinete de Lula, que recebeu pagamentos da lobista Roberta Luchsinger, amiga próxima do filho do presidente.
A PF também tentou retirar Lulinha das mãos de Mendonça, desmembrando as investigações sobre suas influências em dois inquéritos distintos, um dos quais foi designado a Flávio Dino, ex-ministro da Justiça e aliado do PT, enquanto o outro permaneceu com Mendonça.
Embora a descentralização das investigações possa parecer uma solução, na prática, pode dificultar a condução dos trabalhos. O temor do PT em relação ao ministro do STF é exacerbado por um caso envolvendo Jaques Wagner, um membro do partido supostamente ligado ao propinoduto do Banco Master.
Após a reunião, Jorge Messias buscou convencer André Mendonça a dialogar com Andrei Rodrigues para resolver as tensões. Caso ocorra um encontro, Mendonça pode querer destacar a nota dos superintendentes da PF, lembrando que a corporação deve agir de acordo com a lei e não se deixar influenciar por interesses externos.
