Colombianos voltam às urnas em 21 de junho após primeiro turno acirrado. O advogado De la Espriella e o senador Iván Cepeda disputam a presidência com projetos opostos para o país.
Os colombianos receberam com uma mistura de otimismo e apreensão os resultados da eleição que levou o advogado Abelardo de la Espriella e o senador Iván Cepeda ao segundo turno da disputa presidencial. Após uma votação acirrada no domingo, 31 de maio, o país se prepara para retornar às urnas em 21 de junho, para escolher seu próximo chefe de Estado entre duas visões políticas distintas.
De um lado, De la Espriella, um advogado milionário que se apresenta como um “outsider”, e do outro, o popular senador de esquerda, herdeiro das políticas sociais do atual presidente, Gustavo Petro. Este cenário ocorre em um ambiente polarizado, marcado por uma onda de violência que assola a Colômbia, a mais grave da última década.
Com 43,7% dos votos, De la Espriella teve um desempenho considerado surpreendente, enquanto Cepeda conquistou 40,9%. Felipe Botero, professor de Ciências Políticas da Universidade dos Andes, comentou: “As pesquisas sugeriam que seria o contrário, que o mais votado seria Cepeda”.
No hotel Tequendama, em Bogotá, a atmosfera era de preocupação entre os apoiadores da esquerda, que esperavam vencer no primeiro turno. Centenas de pessoas se reuniram para apoiar Cepeda, gritando palavras de ordem como “Não passarão” e “Sim, é possível”.
Vítor Castellanos, empresário de 32 anos que votou em De la Espriella, afirmou: “Um outsider é o que a Colômbia precisa”, expressando temor sobre a possibilidade de uma vitória de Cepeda, que, segundo ele, poderia levar ao comunismo no país. De la Espriella, por sua vez, critica a política de “paz total” de Petro, alegando que foi um fracasso.
Enquanto isso, Cepeda se comprometeu a continuar com a agenda do governo atual, focando em políticas em prol dos mais pobres e dos grupos marginalizados. Maria Fonseca, estudante de 22 anos e eleitora da esquerda, expressou seu medo com a possibilidade de De la Espriella vencer. “Ele conseguiu batalhas”, disse, referindo-se ao senador.
A esquerda obteve mais de 9,6 milhões de votos, superando o primeiro turno de 2022, quando Petro recebeu quase 8,5 milhões. Carolina Ponzo, curadora de arte de 70 anos, descreveu a ascensão da direita como “tenebrosa” e “inesperada”, enquanto a senadora Sandra Chindoy, liderança indígena, declarou que o segundo turno representa “a democracia ou o fascismo”. Se a esquerda vencer, a Colômbia poderá eleger sua primeira vice-presidenta indígena, a líder nasa Aida Quilcué.
