CPI do Crime convoca Vorcaro, Campos Neto e Paulo Guedes sobre Banco Master A Comissão Parlamentar de Inquérito do Crime Organizado aprovou, em sessão realizada em 25 de fevereiro, a convocação do dono do Banco Master, Daniel Vorcaro, do ex-presidente do Banco Central Roberto Campos Neto e do ex-ministro da Fazenda Paulo Guedes, abrindo uma nova etapa da apuração sobre supostas fraudes de até R$ 50 bilhões.
CPI do Crime convoca Vorcaro, Campos Neto e Paulo Guedes sobre Banco Master
A convocação impõe comparecimento obrigatório; em caso de ausência, a CPI pode requisitar condução coercitiva. Segundo o presidente da comissão, senador Fabiano Contarato (PT-ES), a investigação deixa de focar apenas em ações pontuais nas periferias e passa a examinar “esquemas do andar de cima”.
Além das convocações, os parlamentares aprovaram a quebra dos sigilos fiscal e bancário do Banco Master, de Daniel Vorcaro e de outros sócios da instituição. Também foram incluídos dirigentes ligados ao banco e a empresa Reag Investimentos, liquidada pelo Banco Central em janeiro, suspeita de participação na mesma rede de irregularidades.
O senador Randolfe Rodrigues (PT-AP) defendeu a chamada dos ex-ministros da Cidadania João Roma e Ronaldo Bento, alegando indícios de ligação com Vorcaro. Bento aparece como diretor do Banco Pleno, recentemente liquidado pelo BC. Ambos deverão prestar depoimento em data a ser definida.
A desregulamentação do sistema financeiro durante o governo Jair Bolsonaro está no foco da investigação. O requerimento que pediu a presença de Roberto Campos Neto sustenta que resoluções aprovadas sob sua gestão teriam afrouxado controles e favorecido o crescimento do Banco Master. A senadora Soraya Thronicke (Podemos-MS) afirmou que Vorcaro tentou por anos ingressar no setor bancário, conseguindo autorização apenas em outubro de 2019, já sob a presidência de Campos Neto no Banco Central.
Paulo Guedes será questionado sobre possíveis impactos das medidas de liberalização adotadas entre 2019 e 2022. Para Randolfe, tais políticas podem ter criado “ambiente propício à lavagem de dinheiro”. A convocação foi criticada pela oposição, que enxerga motivação político-eleitoral. O senador Sérgio Moro (União-PR) argumentou não haver menção direta ao ex-ministro em relatórios sobre o Banco Master.
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Os senadores também aprovaram convites — sem caráter obrigatório — aos ministros do Supremo Tribunal Federal Alexandre de Moraes e Dias Toffoli, ao ex-ministro da Fazenda Guido Mantega, ao ministro da Casa Civil Rui Costa e ao atual presidente do Banco Central, Gabriel Galípolo. O objetivo é colher esclarecimentos sobre atos normativos e possíveis omissões relacionadas ao caso.
Nem todos os pedidos prosperaram. A CPI rejeitou a convocação da administradora Letícia Caetano dos Reis, apontada como ex-funcionária do senador Flávio Bolsonaro, e do ex-ministro do Trabalho José Carlos Oliveira. Segundo a maioria, não havia elementos suficientes que justificassem os depoimentos neste momento.
De acordo com especialistas, a quebra de sigilo de instituições financeiras costuma acelerar a produção de provas documentais. O Banco Central — órgão responsável por autorizar operações de controle societário no setor — deverá enviar à CPI todas as resoluções e relatórios relacionados ao Banco Master, conforme previsto em lei. Informações adicionais sobre normas bancárias podem ser consultadas diretamente no site oficial do Banco Central do Brasil, referência para dados regulatórios.
Com as novas frentes abertas, a CPI pretende mapear fluxos financeiros suspeitos, identificar eventuais beneficiários e propor mudanças legislativas para endurecer a fiscalização. Relatores avaliam que os depoimentos de Campos Neto e Guedes serão decisivos para esclarecer se houve falhas institucionais que permitiram o avanço do esquema.
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Crédito da imagem: Agência Senado
Fonte: Agência Brasil
