O ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF), decidiu substituir a prisão preventiva do pastor Márcio Poncio por prisão domiciliar. A decisão foi divulgada neste sábado, 11, e levou em consideração o estado de saúde do investigado, assim como a gravidez de alto risco de sua esposa, Simone.
De acordo com a nova determinação, Poncio deverá usar uma tornozeleira eletrônica e está proibido de manter contato com outros alvos da investigação, acessar redes sociais ou sair de casa sem autorização judicial. Além disso, Moraes ordenou a entrega dos passaportes e a suspensão de eventuais documentos de porte de arma registrados em nome do pastor.
A defesa de Poncio informou ao STF que ele sofre de retocolite ulcerativa grave, uma doença inflamatória crônica que afeta o intestino grosso e o reto. Os advogados relataram que o pastor já passou por uma cirurgia para a retirada dessas partes do intestino e que necessita de acompanhamento médico contínuo.
O estado de saúde da esposa do investigado também foi levado em conta pelo ministro. Segundo os advogados, Simone enfrenta uma gravidez de alto risco.
É importante destacar que a mudança no regime de prisão não encerra a investigação nem elimina as suspeitas levantadas pela Polícia Federal (PF). Márcio Poncio foi preso no dia 2 de julho, durante a quinta fase da Operação Unha e Carne, quando foi localizado em um flat na Barra da Tijuca, zona oeste do Rio de Janeiro.
A PF investiga um suposto esquema de lavagem de dinheiro relacionado ao jogo do bicho e à chamada Máfia do Cigarro. As investigações também incluem possíveis pagamentos a agentes públicos e ramificações da organização nos poderes Executivo e Legislativo do Rio de Janeiro. O pastor é investigado por suspeitas de ligação com o comércio ilegal de cigarros. Até o momento, não há condenação contra ele.
Além de Márcio Poncio, a operação tem como alvos Adilson Oliveira Coutinho Filho, conhecido como Adilsinho, e o ex-deputado estadual Rodrigo Bacellar, que já estavam presos quando a nova fase foi deflagrada. Adilsinho é apontado pela PF como uma das lideranças do jogo do bicho no estado e foi preso em fevereiro, em Cabo Frio, após quase cinco anos foragido, com sua localização confirmada por meio de monitoramento com drones.
As apurações tiveram início com a Operação Fumus, deflagrada em 2021, que investigava o controle ilegal do mercado de cigarros no Grande Rio. Na ocasião, os policiais apreenderam planilhas que indicariam pagamentos indevidos, doações eleitorais e movimentações relacionadas à lavagem de dinheiro.
Parte do material coletado menciona possíveis repasses a políticos do Rio, e ao menos 20 agentes políticos estão sendo investigados por supostos recebimentos relacionados ao esquema.
Márcio Poncio é pastor da Igreja da Nuvem e empresário, além de ser pai da deputada estadual Sarah Poncio e do cantor Saulo Poncio.


