Brasil acumula déficit de US$ 415 bi com os EUA em 15 anos. Lula usou o dado para rebater críticas americanas sobre práticas comerciais brasileiras e defender o país no cenário global.
O presidente Luiz Inácio Lula da Silva se manifestou, nesta terça-feira (2), contra as críticas do governo dos Estados Unidos sobre as práticas comerciais do Brasil. Em sua fala, Lula destacou que os norte-americanos gozam de um superávit de US$ 415 bilhões na relação comercial com o Brasil nos últimos 15 anos, e afirmou que, se alguém deveria aumentar a taxação, esse alguém seria o Brasil.
“O superávit americano, nos últimos 15 anos, foi de US$ 415 bilhões. Então, quem tinha que aumentar a taxação seríamos nós, não eles”, ressaltou o presidente. Lula também recordou que, em uma reunião anterior com o presidente dos EUA, Donald Trump, ambos concordaram em um prazo de 30 dias para que se chegasse a um acordo sobre questões comerciais.
“Vocês viram que faz pouco tempo que fui aos Estados Unidos. Tive três horas de conversa com o presidente Trump. O secretário do Comércio dele começou a dizer que havia taxação e eu disse que havia divergência entre o ministro de Comércio dele e o meu ministro do Comércio”, relatou Lula, explicando que entregou documentos que comprovavam a relação comercial favorável dos EUA com o Brasil.
O presidente brasileiro prosseguiu dizendo: “Então, eu disse a ele [Trump], nós dois vamos dar 30 dias para eles provarem quem está certo e quem está errado. Se eu estiver errado, eu aceito; se você estiver errado, você aceita. E demos 30 dias. Até agora já conversaram três vezes e não houve acordo”, completou.
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A conversa entre Lula e Trump ocorreu no início de maio, na Casa Branca, e abordou não apenas a relação comercial, mas também o combate ao crime organizado internacional e a exploração de minerais estratégicos.
Em meio a novas propostas de tarifas contra produtos brasileiros, Lula afirmou que sua batalha é a “guerra da verdade”. “Como eu não tenho navio para fazer as guerras que o Trump gosta de fazer e não tenho bomba atômica, a minha guerra é a guerra da verdade contra a mentira”, afirmou.
Recentemente, o governo dos EUA alegou que as políticas brasileiras são “irrazoáveis” e “oneram ou restringem” o comércio norte-americano. O relatório final da investigação propõe a imposição de tarifas ou outras restrições à importação de produtos brasileiros, incluindo uma tarifa de 25% sobre todos os bens do Brasil.
Em um evento de inauguração de um novo campus do Instituto Federal Goiano, em Catalão (GO), Lula também mencionou o apoio que a oposição recebeu quando Trump aplicou tarifas de 50% sobre produtos brasileiros. Sem citar nomes, lembrou de um tweet do senador Flávio Bolsonaro que, na época, agradeceu a Trump pelas tarifas.
“No dia que ele [Trump] taxou, vou dizer o que fez os meninos do Bolsonaro. Um deles, que é candidato à Presidência, tuitou no dia 9 de julho de 2025: ‘Obrigado, Trump, faça o Brasil livre de novo’”, recordou Lula.
Flávio Bolsonaro, em suas redes sociais, declarou que pediu a Trump para não taxar os produtos brasileiros após um encontro na Casa Branca no final de maio.
