Lula disse que acabaria com as plataformas de apostas se dependesse só dele. Ele afirmou que o governo estuda uma medida 'drástica', avaliando impactos políticos, sociais e econômicos, e admitiu querer conhecer um cassino.
O presidente Luiz Inácio Lula da Silva afirmou, nesta terça-feira, 1º de setembro, que acabaria com as plataformas de apostas esportivas — conhecidas como “bets” — se a decisão dependesse exclusivamente da sua vontade. As declarações foram feitas durante um encontro com entidades contrárias às apostas.
Na mesma ocasião, o presidente disse que o governo está próximo de adotar uma medida que classificou como “drástica” contra as plataformas de apostas. Segundo ele, a avaliação sobre o setor envolve considerações políticas, sociais e econômicas, e por isso uma decisão não pode ser tomada de forma isolada pelo Executivo.
“Se dependesse de mim, eu acabava com as bets”
Além das críticas ao avanço das apostas pela internet, o presidente falou também sobre um desejo pessoal: conhecer um cassino. Em tom pessoal, ele comentou que sempre teve curiosidade sobre o funcionamento das roletas.
“Eu sempre tive vontade de visitar um cassino. Nunca pude visitar um cassino”
“Eu tinha loucura por aquela roleta”
Em sua exposição sobre o tema, o presidente afirmou que considera as plataformas prejudiciais à sociedade e destacou a facilidade de acesso aos jogos pela internet, afirmando que práticas antes restritas passaram a integrar o cotidiano de muitos brasileiros. Ele também lembrou de um tempo em que apostas informais eram proibidas e causavam receio entre os trabalhadores.
“Eu sou de um tempo em que duas pessoas jogando dadinho a valer cigarro era proibido. A gente tinha medo”
Outra crítica levantada na reunião foi a presença de empresas de apostas no futebol brasileiro e o uso de artistas em campanhas publicitárias. Na avaliação apresentada pelo presidente, o dinheiro movimentado pelo setor não trouxe melhoria para o esporte.
“Os times estão piores, os jogadores estão piores”
Foi mencionada também uma medida administrativa: a suspensão, pela Senacon, de qualquer propaganda que ofereça recompensas relacionadas a adiantamentos, bonificações, antecipações ou vantagens prévias. A suspensão integra as ações de fiscalização e controle sobre a publicidade do segmento, conforme informado no encontro.
O debate sobre as apostas esportivas e o papel do Estado no enfrentamento dos impactos sociais e econômicos do setor permanece em destaque na agenda do governo, que, segundo as falas registradas na reunião, estuda alternativas para regulamentar ou restringir atividades consideradas nocivas.

