Lula afirmou que falará com Donald Trump na Assembleia Geral em Nova York para pedir que os EUA não se envolvam nas eleições de outubro. O presidente fará o discurso do Brasil na terça (22).
O presidente Lula afirmou nesta quarta-feira (17) que pretende conversar com o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, durante a Assembleia Geral das Nações Unidas, em Nova York, para pedir que o governo americano não interfira nas eleições brasileiras de outubro.
“Vou à reunião da ONU para ter uma conversa com Trump e dizer a ele: não se meta nas eleições do Brasil”
O presidente fará o discurso do Brasil na Assembleia Geral da ONU na próxima terça-feira (22). Trump também deverá participar do encontro. Os dois chefes de Estado podem se encontrar no evento, mas, segundo o Ministério das Relações Exteriores, não há, até o momento, uma reunião bilateral específica prevista entre os dois governos.
“provavelmente se cruzarão na Assembleia”
A informação foi confirmada pelo secretário de Assuntos Políticos Multilaterais do Itamaraty, Carlos Bicalho Cozendey. Segundo ele, os presidentes “provavelmente se cruzarão na Assembleia”, como ocorreu em 2025, porque os discursos dos dois estão previstos em sequência.
A declaração do presidente ocorre em meio a um quadro de tensão entre Brasília e Washington. Em julho, o governo Trump impôs tarifas sobre produtos brasileiros em duas etapas. O presidente Lula já havia afirmado que as medidas representavam uma tentativa de interferência no processo eleitoral brasileiro. Trump também declarou apoio a candidatos em eleições de outros países da América Latina.
A relação entre os dois governos começou a se deteriorar em 2025, quando os Estados Unidos adotaram as primeiras tarifas sobre produtos brasileiros. Na ocasião, o governo americano relacionou as medidas ao processo judicial envolvendo o ex-presidente Jair Bolsonaro.
Lula também acusa integrantes da família Bolsonaro de atuar junto ao governo americano em defesa de medidas contra o atual governo brasileiro. Durante o ato desta quarta-feira, o presidente voltou a criticar essa aproximação e fez uma afirmação voltada a quem, segundo ele, adota posturas contraditórias em relação aos Estados Unidos.
“O Brasil não aceita quem, de dia, agita a bandeira nacional e, à noite, fica de quatro para os Estados Unidos”
Na área eleitoral, Lula busca a reeleição em outubro. Em pesquisas citadas, Lula e Flávio Bolsonaro aparecem em situação de empate técnico para um eventual segundo turno, previsto para 25 de outubro. A eventual conversa entre Lula e Trump na ONU dependerá da agenda dos dois presidentes; até o momento, não há confirmação de uma reunião bilateral formal entre os governos.
O desdobramento do encontro na Assembleia Geral e a presença simultânea dos dois presidentes devem ser acompanhados de perto por autoridades e analistas, já que qualquer contato direto poderá influenciar a percepção internacional sobre o processo eleitoral brasileiro nas semanas que antecedem o pleito de outubro.
