Lula no G7: o presidente brasileiro viajará a Évian-les-Bains, na França, para a cúpula do grupo entre 15 e 17 de junho, onde pretende exigir o fortalecimento da ajuda internacional ao desenvolvimento e reformas na governança global.
Agenda focada em desenvolvimento
Líderes das sete maiores economias — Canadá, Estados Unidos, Reino Unido, França, Itália, Alemanha e Japão — receberão o Brasil como convidado, ao lado de Índia, Quênia, Coreia do Sul e Egito. Na sessão de 16 de junho, Luiz Inácio Lula da Silva discursará sobre parcerias internacionais para o desenvolvimento. A meta é pressionar pelo aumento da Assistência Oficial ao Desenvolvimento (ODA), fluxo financeiro dos países industrializados destinado a nações vulneráveis. De acordo com o Itamaraty, os repasses diminuíram nos últimos anos, cenário que preocupa países em desenvolvimento.
O embaixador Philip Fox-Drummond Gough, secretário de Assuntos Econômicos e Financeiros do Ministério das Relações Exteriores, destacou que a presidência francesa do G7 deve apresentar uma declaração conjunta com propostas para reforçar a ODA, inclusive com participação do setor privado. Dados compilados pela Organização para Cooperação e Desenvolvimento Econômico indicam queda contínua desses recursos desde 2022, fator que motiva a cobrança brasileira.
Reforma da governança global
Na sessão de 17 de junho, dedicada ao crescimento econômico equilibrado, Lula defenderá mudanças em organismos multilaterais, principalmente a Organização Mundial do Comércio (OMC) e a Organização das Nações Unidas (ONU). O presidente já havia antecipado, em reunião ministerial, que pretende “reconstruir” o multilateralismo e atualizar o Conselho de Segurança da ONU.
A preocupação brasileira com o sistema de comércio ganhou força após relatório do Escritório do Representante Comercial dos Estados Unidos (USTR) sugerir tarifa de 25% sobre produtos do país, alegando “práticas desleais” envolvendo serviços como Pix e WhatsApp Pay.
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Inteligência Artificial em pauta
Também no dia 17, a delegação brasileira participa de almoço temático sobre Inteligência Artificial (IA). O governo pretende apresentar oportunidades e riscos associados à tecnologia. No Congresso Nacional, tramita projeto que estabelece princípios de transparência, segurança, ética e respeito aos direitos humanos para a IA, além de barrar sistemas de alto risco que possam causar danos à saúde ou à segurança.
Documentos em negociação
Embora não participe diretamente da redação final dos textos, o Brasil poderá influenciar sete documentos trabalhados pela presidência francesa. Além da ODA e do crescimento equilibrado, estão em discussão: proteção de crianças no ambiente digital, combate ao narcotráfico, luta contra o câncer, enfrentamento ao contrabando de migrantes e gestão de minerais críticos. O Brasil, que possui a segunda maior reserva de terras raras do mundo, pretende defender políticas que agreguem valor aos minerais no próprio local de extração.
Com uma agenda que combina reivindicações por financiamento ao desenvolvimento, defesa do multilateralismo e debates sobre IA, o noticiário internacional do Giro pela Bahia continuará acompanhando os desdobramentos da participação brasileira no G7. Fique atento às próximas atualizações!
Crédito da imagem: Ricardo Stuckert/PR
Fonte: Agência Brasil
