Lula rejeita interferência dos EUA e cobra respeito à soberania
Lula rejeita interferência dos EUA ao criticar a decisão de autoridades norte-americanas que rotularam facções brasileiras como terroristas e afirmou que o combate a esses grupos cabe exclusivamente ao Brasil.
Cobrança por respeito e soberania
Em discurso na Fábrica de Fertilizantes Nitrogenados de Sergipe (Fafen-SE), na última sexta-feira (29 de maio), o presidente Luiz Inácio Lula da Silva declarou que o Comando Vermelho (CV) e o Primeiro Comando da Capital (PCC) “são terroristas, mas para as comunidades brasileiras, não para os Estados Unidos”. O chefe do Executivo argumentou que não existe justificativa para qualquer intervenção externa no território nacional.
Lula demonstrou descontentamento com o secretário norte-americano Marco Rubio, responsável pelo anúncio, e avaliou que as facções brasileiras não se enquadram no perfil de terrorismo buscado pelos EUA, citando Osama bin Laden como paradigma histórico.
Críticas ao tráfico de armas e às motivações norte-americanas
O presidente ressaltou que parte significativa das armas ilegais que alimentam o crime organizado no país chega dos Estados Unidos. Ele sugeriu que a real motivação de Washington estaria relacionada à cobiça por minerais críticos, terras raras e recursos naturais, como a Amazônia, ricos em água doce e biodiversidade.
“Não aceitamos ser tratados como uma republiqueta. Este é um país grande”, afirmou Lula, acrescentando que exige o mesmo nível de respeito dado a potências como China e Rússia. O governante também destacou que o Brasil tem avançado no combate ao crime organizado, citando a recente aprovação da lei antifacção e da PEC da Segurança Pública.
Ofertas de cooperação sob condições
Lula disse estar aberto à colaboração norte-americana, desde que as ações ocorram igualmente em território dos EUA. Como exemplo, entregou ao ex-presidente Donald Trump um dossiê sobre brasileiros condenados que vivem em solos norte-americanos, entre eles Carlos Ramagem e Ricardo Magro. “Querem combater o crime organizado? Então entreguem os nossos criminosos que se escondem aí”, provocou.
Segundo o presidente, a cooperação internacional precisa respeitar o multilateralismo e a integridade territorial das nações. Ele reforçou que o Brasil não aceitará imposições unilaterais e que conduz seu próprio sistema de classificação e enfrentamento de crimes.
Em nota recente, o Departamento de Estado dos EUA afirma que a medida visa pressionar fontes de financiamento das facções, mas não comenta as declarações de Lula.
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Crédito da imagem: Agência Brasil
Fonte: Agência Brasil
