Na última sexta-feira, 29 de maio, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) manifestou sua insatisfação em relação à decisão dos Estados Unidos de classificar o Primeiro Comando da Capital (PCC) e o Comando Vermelho (CV) como organizações terroristas. Durante um evento em Sergipe, Lula afirmou estar “muito triste” com essa decisão e pediu respeito à soberania do Brasil.
“Não aceitamos ser tratados como moleques. Não aceitamos ser tratados como se fôssemos uma republiqueta. Isso aqui [o Brasil] não é um país qualquer. É um país muito grande”, destacou o presidente.
Lula também reforçou que, apesar de considerar o PCC e o CV como terroristas, essa classificação se aplica especialmente às comunidades afetadas no Brasil. “Comando Vermelho e PCC são terroristas, mas para as comunidades brasileiras. Para a sociedade brasileira e para o povo da periferia, porque incomodam famílias, bairros e cidades. São terroristas e vamos combatê-los aqui dentro”, afirmou.
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O governo brasileiro, por sua vez, emitiu uma nota criticando a posição dos EUA, ressaltando que é “deplorável” que membros da família Bolsonaro tenham viajado ao país para pedir intervenções estrangeiras. No comunicado, o governo chamou os filhos do ex-presidente Jair Bolsonaro de “falsos patriotas” que tentariam manipular conceitos de segurança pública para fins políticos.
A decisão dos Estados Unidos de classificar o PCC e o CV como organizações terroristas foi anunciada na quinta-feira, 28 de maio. Segundo o governo americano, essas facções são consideradas duas das mais violentas do Brasil e lideram uma rede de criminalidade que se estende além das fronteiras do país. Os EUA afirmaram que os grupos orquestraram ataques brutais contra policiais e civis e que sua influência afeta a segurança regional.
Essa medida veio logo após o encontro do pré-candidato do PL, Flávio Bolsonaro, com o presidente dos EUA, Donald Trump, onde ele pediu a classificação do PCC e do CV como organizações terroristas. Flávio Bolsonaro afirmou que essas facções controlam territórios inteiros no Brasil e exercem uma forma de justiça paralela que corrompe agentes públicos e intimida a população.

