O líder supremo do Irã, Sayyid Mojtaba Khamenei, fez um apelo aos países islâmicos para que se unam ao Irã na busca por uma nova ordem na região, sem a presença militar dos Estados Unidos (EUA) e de Israel. A declaração foi divulgada na última terça-feira, 26 de maio de 2026, por meio de uma carta direcionada aos milhões de muçulmanos durante o evento anual de peregrinação à Meca, na Arábia Saudita, que atrai anualmente mais de 1,5 milhão de fiéis.
Khamenei ressaltou que a comunidade islâmica e as nações da região possuem diversas capacidades e interesses comuns, que são fundamentais para moldar o futuro do Oriente Médio. “Eu, com sinceridade e pureza de intenção, convido todos os países e governos islâmicos à amizade e à cooperação em prol do bem, para que, trabalhando juntos, possamos dar passos rumo ao avanço da Ummah Islâmica”, afirmou o líder iraniano.
Durante a peregrinação, que é uma obrigação para todos os muçulmanos adultos, Khamenei pediu aos peregrinos iranianos que compartilhem informações sobre a “vitória” do Irã na luta contra a agressão dos EUA e de Israel. Ele enfatizou que “o tempo não retrocederá” e que os países da região não aceitarão mais bases militares norte-americanas em seu território. “Os Estados Unidos não só não terão mais um refúgio seguro para suas artimanhas e para o estabelecimento de bases militares na região, como, dia após dia, estão se distanciando cada vez mais de seu antigo status”, declarou Khamenei.
O líder também se mostrou pessimista em relação ao futuro de Israel, afirmando que o “regime sionista” estaria se aproximando do fim. “O tumor cancerígeno de Israel está igualmente se aproximando dos estágios finais de sua existência miserável”, disse, referindo-se a uma profecia de seu pai, Ali Khamenei, que previa que Israel não existiria mais dentro de 25 anos.
Enquanto o mundo debate a possibilidade de uma solução com dois estados para a Palestina, o Irã defende a criação de um único estado, onde árabes e judeus viveriam juntos, rejeitando qualquer proposta de um estado palestino independente. O líder supremo também destacou que todos os muçulmanos têm um papel crucial na construção de uma nova civilização islâmica, que redefinirá a ordem de poder na região.
Khamenei também elogiou a resistência do povo iraniano diante de 47 anos de sanções e ataques políticos, econômicos e propagandísticos, ressaltando a importância do chamado Eixo da Resistência, que inclui grupos que se opõem à influência dos EUA e de Israel no Oriente Médio.
O líder supremo do Irã é escolhido pela Assembleia dos Especialistas, composta por 88 clérigos, e ocupa um cargo vitalício, embora possa ser destituído pela Assembleia. O aiatolá Mojtaba Khamenei assumiu após a morte de seu pai e é considerado o principal responsável pela direção política e militar do país.
