Israel e EUA atacam unidades de saúde no Líbano e Irã — Quase 400 instalações médicas foram danificadas por ataques atribuídos a forças israelenses e norte-americanas, informaram autoridades de saúde libanesas e iranianas em 24 de março de 2026.
Escalada ameaça sistemas de saúde
No Líbano, o Ministério da Saúde reportou que 70 unidades de saúde, entre hospitais e clínicas, foram atingidas desde 2 de março. O número supera em quase quatro vezes o total registrado duas semanas antes. Os bombardeios provocaram a morte de 42 profissionais, deixaram 119 feridos e forçaram o fechamento definitivo de cinco hospitais, além de danos parciais a outras nove unidades e a suspensão de 54 centros básicos de atendimento.
No mesmo período, dois paramédicos morreram em Nabatieh após um ataque contra um comboio de motocicletas, episódio atribuído a Israel pela Agência Nacional de Notícias do Líbano. A Força de Defesa de Israel (FDI) alega que o Hezbollah utiliza ambulâncias e instalações médicas para fins militares, justificativa contestada pela Anistia Internacional, que afirma não haver provas públicas dessas acusações.
Danos generalizados no Irã
Em comunicado divulgado na mesma data, o Ministério da Saúde do Irã contabilizou 313 estruturas de saúde danificadas por bombardeios de Israel e dos Estados Unidos, resultando na morte de 23 trabalhadores do setor. A Crescente Vermelha Iraniana apresentou números próximos: 281 locais afetados, inclusive 17 bases da Cruz Vermelha e 94 ambulâncias destruídas.
Até 18 de março, a Organização Mundial da Saúde havia confirmado 20 ataques a unidades iranianas, com nove óbitos. Washington nega ter como alvo instalações civis, mas admite a possibilidade de “efeitos colaterais” durante operações militares.
Violação do direito humanitário
Entidades internacionais lembram que hospitais e ambulâncias são protegidos pelo direito humanitário. “Tratar médicos e paramédicos como alvos é inaceitável”, declarou Kristine Beckerle, da Anistia Internacional. A OMS alertou que a destruição dificulta o tratamento de mais de 2,9 mil feridos no Líbano e compromete a capacidade de resposta do Irã.
Para o jornalista e analista geopolítico Anwar Assi, a repetição dos ataques indica estratégia deliberada: “O objetivo é aterrorizar civis e pressionar por mudanças políticas, minando a confiança no socorro médico”. Assi acrescenta que edifícios vizinhos aos grandes hospitais também são bombardeados, causando danos estruturais indiretos e forçando evacuações.
Contexto regional
Práticas semelhantes foram registradas na Faixa de Gaza após 7 de outubro de 2023. A OMS documentou 931 ataques a unidades de saúde em Gaza e 940 incidentes na Cisjordânia nesse intervalo, reforçando a preocupação com a expansão do padrão de violência contra serviços médicos em todo o Oriente Médio.
Embora Israel afirme adotar medidas para reduzir vítimas civis, como avisos prévios de evacuação, organizações humanitárias contestam a efetividade dessas ações diante do volume de hospitais e ambulâncias atingidos.
Os dados recentes somam-se a um cenário já crítico, agravando a sobrecarga de sistemas de saúde historicamente fragilizados por crises econômicas e conflitos prolongados.
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Crédito da imagem: Hossein Zohrevand/Press TV
Fonte: Hossein Zohrevand/Press TV
