Sanções dos EUA contra Cuba pressionam economia da ilha
Sanções dos EUA contra Cuba ampliaram o cerco financeiro a Havana ao incluírem o conglomerado militar estatal Gaesa e a joint venture de níquel Moa Nickel (MNSA) na lista de entidades bloqueadas, medida que provocou a saída imediata da canadense Sherritt International do território cubano.
Corte abrupto em parceria estratégica no setor de níquel
A decisão anunciada pelo governo norte-americano levou a Sherritt a comunicar, com efeito imediato, a suspensão das operações mantidas com a Companhia Geral de Níquel de Cuba. A empresa afirmou que o novo cenário “altera substancialmente” sua capacidade de atuar no país, afetando diretamente uma das poucas fontes de divisas ainda ativas na ilha, segundo avaliação da historiadora Caridade Massón Sena, da Universidade Federal de Uberlândia.
Gaesa vira alvo principal de Washington
O Grupo de Administración Empresarial S.A. (Gaesa) controla dezenas de negócios nos ramos de construção, hotelaria e produção de alimentos. Além de sancionar o conglomerado, Washington impôs restrições individuais à presidente da holding, a general de brigada Ania Guillermina Lastres Morera, deputada da Assembleia Nacional de Cuba desde 2018. Autoridades dos Estados Unidos justificam a medida alegando corrupção e ameaça à segurança nacional, embora não tenham apresentado provas públicas.
Impacto social: apagões e alta de preços
As novas sanções somam-se ao bloqueio energético que, desde o início de 2026, dificulta a chegada de petróleo à ilha. Habitantes de Havana relatam apagões prolongados, escassez de combustível, redução do transporte público e encarecimento de itens básicos. Para Massón, a pressão visa “afogar os cidadãos cubanos pela fome e necessidade”.
Resposta de Havana e condenação internacional
O presidente Miguel Díaz-Canel classificou as restrições como uma “agressão unilateral” que agrava a crise, mas reforça a determinação de defender “Pátria, Revolução e Socialismo”. A Assembleia-Geral da ONU voltou a condenar o embargo norte-americano, mantido há 66 anos, por contrariar o direito internacional e afetar 11 milhões de cubanos.
Novo embasamento jurídico em Washington
As medidas são amparadas por uma ordem executiva assinada em 1º de maio pelo presidente Donald Trump, que amplia mecanismos de bloqueio a países considerados hostis. O secretário de Estado, Marco Rubio, sustenta que Cuba abriga “instalações adversárias” capazes de coletar informações sensíveis dos EUA, argumento contestado por especialistas.
Com a retirada de investidores estrangeiros e o congelamento de ativos ligados às Forças Armadas, analistas preveem retração adicional na economia cubana, já afetada por quedas no turismo e na produção de açúcar. Empresários com negócios na ilha demonstram cautela diante do risco de punições secundárias.
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Crédito da imagem: Agência Lusa/EPA/Ernesto Mastrascusa
Fonte: Agência Lusa/EPA/Ernesto Mastrascusa
