Cuba monitora movimentação militar dos EUA após ameaças de Trump O governo cubano acompanha de perto os deslocamentos das Forças Armadas norte-americanas no Caribe, afirmou o ex-embaixador José R. Cabañas Rodríguez, ao recordar que a ilha se prepara para uma possível invasão desde 1959.
Cuba monitora movimentação militar dos EUA após ameaças de Trump
De acordo com Cabañas, que dirige o Centro de Investigações de Política Internacional (Cipi) em Havana, analistas cubanos avaliam “constantemente” a atividade militar dos Estados Unidos na região. “A guerra de hoje pode ser desencadeada à distância”, disse o diplomata, destacando que a unidade popular continua sendo a principal defesa do país.
O risco, segundo ele, aumenta sempre que Washington identifica fragilidades econômicas na ilha. A invasão frustrada da Praia Girón, em 1961, e as operações norte-americanas em Granada (1983) e Panamá (1989) foram lembradas como exemplos de momentos em que a agressão parecia iminente.
Cabañas ressaltou que a base naval de Guantánamo, mantida pelos EUA desde 1903, oferece à potência vizinha um ponto de apoio a poucos quilômetros do território cubano. “Eles dispõem de tropas e recursos naquele enclave ilegal”, afirmou.
Guerra informacional e psicologia do medo
Para o professor de relações internacionais, a atualidade traz um “excesso de informação” sobre uma possível ofensiva, usado para desmoralizar a população. “Lê-se na imprensa corporativa norte-americana a ideia de invasão. Pretende-se intoxicar a nossa sociedade com medo”, avaliou.
Crise energética e negociações com Washington
O bloqueio intensificado pelos EUA resultou em mais de três meses sem entrada de petróleo em Cuba, provocando apagões que chegam a 12 horas diárias na capital e ainda mais extensos em municípios do interior. Um navio russo quebrou o cerco no fim de março com 100 mil toneladas de crude, volume suficiente para apenas um terço da demanda mensal.
Nesse contexto, Havana e Washington abriram conversas para viabilizar a importação de combustível. Cabañas, porém, afirmou que qualquer tratativa deve respeitar a soberania: “Cuba nunca considerou fazer concessões que violem a igualdade, o respeito e a reciprocidade”.
Denúncia na ONU e impacto humanitário
O presidente Miguel Díaz-Canel denunciou na ONU que o bloqueio energético funciona como punição coletiva. Mais de 96 mil cirurgias, incluindo 11 mil pediátricas, estão represadas; pacientes de radioterapia e hemodiálise sofrem com a oscilação de energia, segundo dados oficiais.
Pressão interna nos Estados Unidos
Díaz-Canel recebeu recentemente parlamentares democratas contrários ao embargo. A deputada Pramila Jayapal afirmou que o bloqueio “aprofundou a crise humanitária”. Sinais de solidariedade também vêm de organizações civis norte-americanas, destacou Cabañas: “É talvez uma contradição que um dos maiores movimentos de apoio a Cuba esteja justamente nos EUA”.
Em entrevista à NBC News, o presidente cubano reiterou que o país resistirá a qualquer incursão externa: “Se isso acontecer, haverá luta. Morrer pela pátria é viver”, citou, em referência ao hino nacional.
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Crédito da imagem: José R. Cabañas Rodríguez
Fonte: Agência Brasil
