Integração regional: Lula cobra soberania sobre minerais críticos foi a principal mensagem enviada pelo presidente Luiz Inácio Lula da Silva à 10ª Cúpula da Comunidade de Estados Latino-Americanos e Caribenhos (Celac), realizada em Bogotá, no sábado (21). No discurso lido pelo chanceler Mauro Vieira, Lula defendeu que os países da América Latina e do Caribe participem de todas as etapas das cadeias de valor dos minerais críticos presentes na região, assegurando desenvolvimento interno e maior poder de barganha frente a investidores internacionais.
Integração regional: Lula cobra soberania sobre minerais críticos
Ao lembrar que o subcontinente possui a segunda maior reserva mundial de minerais críticos e terras raras – insumos vitais para a produção de chips, baterias e painéis solares –, Lula sustentou que a adoção de um marco regulatório regional com parâmetros mínimos comuns ampliaria a capacidade de negociação dos governos latino-americanos.
Para o presidente, controlar a extração, o beneficiamento, a industrialização e até a reciclagem desses materiais é essencial para “reescrever a história da região” e evitar que a riqueza local continue financiando o crescimento de outras economias. Segundo a Agência Internacional de Energia, a demanda global por minerais críticos deve quadruplicar até 2040 devido à transição energética, o que reforça a urgência de políticas coordenadas.
Lula também associou a pauta dos minerais ao fortalecimento da integração regional. Ele advertiu que a fragmentação política na América Latina aumenta a vulnerabilidade a pressões externas e limita a resposta conjunta a desafios comuns, como crises geopolíticas e instabilidade econômica. “A América Latina e o Caribe não cabem no quintal de ninguém”, destacou o presidente no texto lido por Vieira.
Entre as propostas, o chefe do Executivo brasileiro citou:
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- ampliação do comércio intrarregional;
- integração de cadeias produtivas estratégicas;
- fortalecimento de blocos como o Mercosul;
- construção de corredores terrestres, aquaviários e aéreos ligando Atlântico e Pacífico;
- interligação das redes elétricas para reduzir custos de energia.
No campo da segurança, Lula argumentou que a cooperação regional é decisiva para enfrentar o crime organizado, sobretudo no combate ao tráfico de armas, lavagem de dinheiro e uso ilícito de criptomoedas. Ele citou o Projeto de Lei Antifacção, apresentado pelo governo brasileiro, como exemplo de iniciativa que busca sufocar o financiamento de grupos ultraviolentos e ampliar a atuação da Polícia Federal em crimes de alcance transnacional.
O discurso também elogiou a presidência pro tempore da Celac, exercida pela Colômbia, pela manutenção do diálogo com parceiros como China, União Europeia e África. Para Lula, esses blocos “veem na América Latina um potencial que nós mesmos ainda não reconhecemos plenamente”.
Encerrando sua mensagem, o presidente reiterou que a integração regional deve ser vista como instrumento de soberania e desenvolvimento sustentável, alinhado às vocações energéticas, agrícolas e de biodiversidade do continente.
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Crédito da imagem: Ricardo Stuckert/PR
Fonte: Agência Brasil
