Horta comunitária do Salgueiro cultiva memórias e renda A horta comunitária do Salgueiro, na zona norte do Rio de Janeiro, reúne moradores em torno do cultivo de plantas medicinais e hortaliças que preservam tradições, reforçam a alimentação local e ainda complementam a renda de famílias da comunidade.
Horta comunitária do Salgueiro cultiva memórias e renda
Memória que brota da terra
Integrante do Coletivo de Erveiras e Erveiros do Salgueiro, a aposentada Vera Lúcia Silva de Souza, 74 anos, atravessa a ladeira íngreme do morro todas as manhãs para cuidar dos canteiros. O ritual, explica ela, começou “há um ano”, período em que decidiu reviver os ensinamentos da mãe e da avó sobre chás, xaropes e temperos feitos em casa. “Molhamos cedo para não queimar as plantas. No verão, o sol castiga”, conta.
Safra expressiva e diversidade de espécies
O terreno, desapropriado após risco de deslizamento, transformou-se em um dos 84 espaços atendidos pelo programa Hortas Cariocas, criado pela Prefeitura há cerca de duas décadas. Somente em 2025, essas hortas produziram 74 toneladas de alimentos; no Salgueiro, a safra foi de 700 quilos.
Marcelo Rocha, também do coletivo, destaca que o cultivo supera a oferta reduzida dos supermercados. “Além de alface ou rúcula, temos taioba, caruru, ora-pro-nóbis, serralha”, enumera. Parte da produção abastece a Escola Municipal Bombeiro Geraldo Dias e é indicada por profissionais de saúde a moradores que precisam de verduras específicas.
Cidadania, renda e recuperação de área ociosa
Para Walace Gonçalves de Oliveira, 66 anos, o Tio Dadá, a horta simboliza cidadania. Ele lembra que o local, antes tomado por lixo, hoje exibe pés de berinjela, chicória, cenoura, limão e até a rara laranja sanguínea. “Ora-pro-nóbis fica ótimo com frango assado”, diz.
Segundo a Secretaria de Ambiente e Clima, as hortas urbanas reduzem ocupações irregulares, promovem inclusão social e oferecem alimentos livres de transgênicos e agrotóxicos. A pasta mantém entrega contínua de sementes aos coletivos.
Casa que virou viveiro
No quintal sombreado pela borda do Parque Nacional da Tijuca, Vera cultiva saião, alfavaca, assa-peixe e mais ora-pro-nóbis, planta que virou referência entre vizinhos. “Quando pedem, doo mudinhas. Muitas casas são apertadas, não há espaço para plantar”, explica.
Educação ambiental e continuidade
Além da produção, o coletivo mantém ações de catalogação de espécies desde 2019, fortalecendo o conhecimento popular sobre fitoterapia e alimentação saudável. As atividades incluem oficinas com crianças e apoio técnico permanente da prefeitura.
O exemplo do Salgueiro mostra como o cultivo coletivo resgata memórias ancestrais, recupera áreas degradadas e abre caminho para renda e fortalecimento comunitário. Para conhecer outras iniciativas ligadas à saúde e qualidade de vida, visite a editoria de Saúde e continue informado.
Crédito da imagem: Tânia Rêgo/Agência Brasil
Fonte: Agência Brasil
