Ministro Márcio Rosa diz que o governo seguirá em negociações para reduzir tarifas americanas sobre produtos brasileiros e ampliar isenções da taxa de 12,5% ligada a trabalho forçado. Lula orienta manter diálogo.
O ministro do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços (MDIC), Márcio Elias Rosa, afirmou nesta quinta-feira (23) que o governo brasileiro continuará negociando para evitar a imposição da tarifa de 25% aplicada pelos Estados Unidos a produtos brasileiros. O país também buscará ampliar a lista de isenções da tarifa de 12,5%, que é aplicada ao Brasil e a outros países por supostas falhas no combate à importação de bens produzidos com trabalho forçado.
Em entrevista a jornalistas, o ministro destacou que “o presidente Lula orienta continuar negociando, negociando, negociando, para afastar a imposição dos 25% que já foram decididos naquela seção própria do Brasil”. Ele reiterou a importância de se ampliar a lista de exceções, que inclui produtos como carne bovina e café, considerados sensíveis à inflação americana.
Questionado sobre a pressão do empresariado brasileiro para que o governo não adote a Lei de Reciprocidade em relação aos EUA, Elias respondeu que a utilização desse instrumento é um direito que protege a economia brasileira e os interesses do país. “O governo do presidente Lula não vai renunciar nunca à possibilidade de, efetivamente, em todos os meios e formas, defender os interesses dos setores produtivos”, afirmou.
“O momento e a forma de fazê-lo é que o tempo vai determinar. É óbvio que o interesse primário é negociar”, completou o ministro.
Ele também fez menção a setores que estão sendo fortemente impactados pelas tarifas americanas, como o de madeira, e garantiu que, se necessário, o Brasil não hesitará em usar o instrumento da reciprocidade. Márcio Elias criticou a tarifa de 12,5% imposta pelos EUA, considerando-a “indevida, ilegítima e ilegal”, e afirmou que o Brasil irá contestar e adotar todos os mecanismos para rechaçar essa imposição.
O ministro informou que cerca de 2 mil produtos exportados para os Estados Unidos não estão sujeitos à tarifa de 12,5% nem à sobretaxa de 25%. Para outros produtos, como celulose e pescados, a tarifa de 12,5% será aplicada. Além disso, existem produtos que sofrerão uma dupla tributação de 37,5%, incluindo calçados, máquinas, equipamentos e confecções.
O Brasil, segundo o ministro, tem compromissos históricos no combate ao trabalho forçado e os acordos internacionais que o país celebra contêm regras específicas para evitar a comercialização de bens produzidos com essa prática.
Elias também mencionou o plano Brasil Soberano 3, que foi lançado recentemente e está preparado para acolher os setores afetados pela nova tarifa de 12,5%. “A lei sancionada permite que a regulamentação inclua ou exclua setores”, destacou.
O ministro reforçou que a prioridade é acolher os setores atingidos e prepará-los para diversificação de mercados. Além disso, ressaltou a importância de preparar as manifestações que o Brasil fará à Organização Mundial do Comércio (OMC) no momento adequado.
