Segundo fonte com conhecimento das conversas, a iniciativa é individual de um candidato a deputado federal e não parte oficialmente do MDB; o nome dele é mantido em sigilo
Uma articulação silenciosa começou a ganhar força nos bastidores da política baiana e pode provocar uma crise dentro da base do governador Jerônimo Rodrigues (PT): a tentativa de emplacar Geddel Vieira Lima na Secretaria de Segurança Pública em um eventual segundo mandato.
Segundo uma fonte com conhecimento das conversas, um candidato do MDB a deputado federal estaria tentando convencer interlocutores próximos ao governador de que, em um eventual segundo mandato, Geddel Vieira Lima poderia assumir a Secretaria de Segurança Pública da Bahia.
A proposta, ainda segundo a fonte, não parte oficialmente do MDB. Seria uma iniciativa individual, sem respaldo da direção partidária. O nome do candidato que estaria fazendo a articulação é mantido em sigilo.
Uma das pastas mais sensíveis do estado
A Secretaria de Segurança Pública é responsável pela formulação e pela coordenação das políticas estaduais de segurança e mantém relação direta com as forças policiais. Os defensores da ideia apontariam a experiência política de Geddel, sua capacidade de articulação e seu trânsito institucional.
O nome, porém, carrega um histórico que voltaria imediatamente ao centro do debate.
O caso dos R$ 51 milhões

Em 2017, a Polícia Federal encontrou cerca de R$ 51 milhões em dinheiro vivo em um apartamento em Salvador ligado a Geddel Vieira Lima. Ainda na fase inicial do processo, o Supremo Tribunal Federal aceitou a denúncia e manteve a prisão do ex-ministro.
Em outubro de 2019, a Segunda Turma do STF condenou Geddel a 14 anos e 10 meses de reclusão, em regime inicial fechado, por lavagem de dinheiro e associação criminosa, no julgamento da Ação Penal 1030. Seu irmão, o ex-deputado Lúcio Vieira Lima, foi condenado a 10 anos e 6 meses (veja o julgamento).
Em agosto de 2021, a mesma Segunda Turma acolheu embargos da defesa e afastou a condenação por associação criminosa, mantendo a condenação por lavagem de dinheiro.
Eunápolis aumenta a temperatura
O cenário fica ainda mais delicado diante das apurações sobre a fuga de 16 detentos do Conjunto Penal de Eunápolis, no extremo sul da Bahia, em dezembro de 2024. A investigação, batizada de Operação Duas Rosas, apura a participação de agentes públicos no episódio, e o nome de Geddel foi citado em depoimentos que tratam de suposto pagamento de propina.
Não há condenação contra Geddel pelos fatos relacionados à fuga, e o ex-ministro nega qualquer envolvimento em irregularidades. As acusações seguem em apuração.
Politicamente, no entanto, a controvérsia teria peso considerável caso o nome fosse indicado justamente para comandar a Segurança Pública.
Quem está fazendo a pressão?
A fonte faz questão de separar a iniciativa individual de qualquer posição institucional. Não seria uma proposta do MDB, não seria decisão da direção partidária e o candidato não estaria falando em nome da legenda.
Trata-se, segundo o relato, de uma articulação pessoal para convencer Jerônimo Rodrigues de que Geddel poderia ocupar a pasta em um eventual segundo mandato.
A decisão é do governador
Se a articulação avançar, Jerônimo Rodrigues terá diante de si uma escolha de alto risco político. De um lado, os defensores da indicação apontam experiência e capacidade de articulação. De outro, os adversários questionariam a escolha de um nome com esse histórico para comandar uma das principais estruturas do governo estadual.
Por enquanto, o nome do candidato permanece em sigilo. Segundo a fonte, a movimentação existe e já estaria sendo discutida nos bastidores. A decisão, evidentemente, caberia exclusivamente ao governador.
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