Flávio declarou que o pai não sabia do vídeo de IA exibido na convenção do PL. Ele afirmou que, segundo a resolução do TSE e a legislação, não há irregularidade.
O senador e pré-candidato à presidência Flávio Bolsonaro (PL-RJ) declarou, nesta quinta-feira (30), que Jair Bolsonaro não tinha conhecimento sobre o vídeo gerado por inteligência artificial (IA) que foi apresentado durante a convenção do Partido Liberal (PL) no último sábado (25). Flávio afirmou: “É óbvio que o presidente Bolsonaro não tinha a menor ideia de que ia passar um vídeo de IA na nossa convenção. Nós estudamos a legislação e não tem absolutamente nada de errado.”
Ele complementou que, conforme a resolução do Tribunal Superior Eleitoral (TSE) e a legislação vigente, não há proibições sobre a exibição do vídeo. “Em tese, o TSE informa que, durante as eleições, não pode usar inteligência artificial para promover mentiras e fazer conteúdo de apoio a um candidato ou de ataque a outro concorrente, mas isso só é proibido sempre que houver a intenção de enganar quem estiver assistindo,” disse Flávio.
O pré-candidato também comentou sobre a crescente utilização da IA, afirmando que “a IA está comendo solta, estão querendo parar um artifício imparável”. Ele reforçou que “com o vídeo do Jair Bolsonaro, está tudo certo”, indicando que não vê problemas na sua utilização.
Além disso, Flávio expressou sua emoção ao ver o vídeo do pai durante a convenção. “Tem mais de um ano que vocês não veem o rosto do meu pai, não houvem a voz dele, então quando aparece o vídeo dele fiquei emocionado porque queria muito que ele estivesse do meu lado,” afirmou.
No dia 28 de julho, o ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF), determinou um prazo de 48 horas para que a defesa do ex-presidente Jair Bolsonaro esclarecesse se ele autorizou o uso de sua imagem e voz no vídeo de IA exibido na convenção que lançou a candidatura de Flávio à presidência.
Essa decisão deixa Jair Bolsonaro em uma situação delicada. Se ele confirmar que autorizou a veiculação do material, poderá ser considerado como um novo descumprimento das medidas cautelares, o que pode resultar na reversão de sua prisão domiciliar. Por outro lado, se negar a autorização, Flávio e o PL poderão ser investigados por um possível uso ilegal de “deep fake” para fins eleitorais.
Na mesma data, a defesa de Bolsonaro, representada pelo advogado João Henrique de Freitas, negou que a exibição do vídeo tenha sido uma decisão do ex-presidente, ressaltando que a gravação com o avatar foi feita sem sua autorização. Freitas questionou, através de uma publicação em uma rede social, como Bolsonaro poderia ter autorizado a produção do vídeo se ele está proibido de se comunicar com dirigentes partidários durante sua prisão domiciliar.
