Em Belém, num ato que virou comício, Bolsonaro criticou a ligação de Lula ao ministro Flávio Dino, exibida ao vivo. A chamada ocorreu antes da sanção da lei de avaliação da assistência privada, proposta por Dino.
O senador Flávio Bolsonaro, candidato do PL à Presidência, criticou o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) por uma ligação telefônica ao ministro do Supremo Tribunal Federal (STF) Flávio Dino durante um evento em Belém (PA), na segunda-feira, 28, que se transformou em ato de campanha.
O momento da ligação foi transmitido ao vivo antes de o presidente sancionar o projeto de lei que cria a Estratégia Nacional de Controle e Avaliação da Qualidade da Assistência à Saúde Prestada pela Iniciativa Privada. Quando era senador pelo Estado do Maranhão, Flávio Dino apresentou a proposta, em 2024. Em fevereiro daquele ano, ele tomou posse como ministro do STF depois de ser indicado por Lula. Dino também foi ministro da Justiça e Segurança Pública entre 2023 e 2024, no atual mandato do presidente.
No início da ligação, é possível ouvir o cumprimento de Flávio Dino a Lula, com o ministro chamando-o de “presidente”. Após pedido de manifestação por parte do chefe do Executivo, a ligação caiu.
“Ô, Flávio [Dino], deixa eu lhe falar uma coisa. Eu estou aqui em Belém. Vou sancionar a lei da dor de um pai, o projeto de lei que você fez e foi aprovado por conta da morte do seu filho de 13 anos”, disse Lula. “Então, estou te ligando. Estou ao vivo aqui. Eu não queria sancionar sem falar com você.”
Em postagem na rede social X, Flávio Bolsonaro criticou tanto Lula quanto Flávio Dino, questionando a relação entre o Executivo e um integrante do STF.
“Lula ligou para Flávio Dino como se fosse um político subordinado de seu governo. Será que Dino continua sendo subordinado do Lula no STF?”
“O próximo presidente do Brasil indicará pelo menos mais quatro ministros para o STF. Não vamos deixar que mais 4 Dinos ou 4 Moraes integrem essa instituição tão importante para a democracia. Vamos proteger o STF. Ou o Brasil vence ou o Lula acaba com o Brasil.”
O presidente sancionou o projeto durante visita ao complexo hospitalar da Benemérita Sociedade Portuguesa Beneficente do Pará, em Belém, onde conheceu as instalações do Hospital São João de Deus, que presta serviços de alta complexidade pelo Sistema Único de Saúde (SUS).
Ao sancionar a proposta, Lula fez referência à morte de Marcelo Dino, filho de Flávio Dino, aos 13 anos, em 2012, em decorrência de uma crise de asma e demora no atendimento em um hospital de Brasília. A família do ministro foi à Justiça contra a unidade de saúde.
No evento em Belém, que se tornou ato de campanha, também estiveram presentes a governadora do Pará, Hana Ghassan (MDB), candidata à reeleição; o ministro da Saúde, Alexandre Padilha; o prefeito de Belém, Igor Normando (PSDB); e o presidente do BNDES, Aloizio Mercadante.

