Após o 1º turno com Flávio à frente, mercado retoma expectativa de alternância e medidas fiscais mais rígidas, diz o economista Jason Vieira. Investidores voltam a apostar em reformas e corte de gastos públicos.
O resultado do primeiro turno da eleição presidencial, em que Flávio Bolsonaro (PL) ficou à frente do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT), reforçou no mercado financeiro a expectativa de alternância de poder e de mudanças na condução da política fiscal. A avaliação é do economista Jason Vieira, em entrevista neste sábado (10).
Segundo Vieira, investidores voltaram a considerar a possibilidade de um governo mais disposto a promover reformas e a reduzir despesas públicas, cenário que havia influenciado os negócios no começo do ano. Essa aposta perdeu força quando Flávio recuou nas pesquisas e ganhou impulso após a votação de domingo (4).
O economista atribuiu a essa mudança de expectativas a forte movimentação dos ativos na segunda-feira (5). De acordo com ele, a Bolsa chegou a superar 8% de alta durante o pregão, enquanto o dólar recuou em direção à marca de R$ 5. Vieira ressaltou que o movimento refletiu, sobretudo, a expectativa de alterações na política econômica.
Sobre a proposta de cortar R$ 200 bilhões em despesas no primeiro ano de um eventual governo Flávio Bolsonaro, Vieira avaliou que o objetivo seria difícil de cumprir de imediato. Ele afirmou que a dimensão de um eventual ajuste dependerá de uma avaliação detalhada do Orçamento e da estrutura de gastos do governo federal.
“Pode ser que dê 200 bilhões, pode ser que não dê 200 bilhões. Eu acho que isso é uma informação que só se vai saber quando chegar lá”, afirmou.
Na análise dele, o anúncio de reformas fiscais poderia contribuir para reduzir o custo de financiamento da dívida pública, caso provocasse queda nas taxas de juros esperadas pelo mercado. Essa melhora, no entanto, não dispensaria medidas efetivas de contenção de despesas: seria preciso detalhar cortes e caminhos para que o ajuste seja crível.
Vieira também apontou obstáculos à recuperação da atividade em 2027: juros elevados, perda de poder de compra devido à inflação e o endividamento das famílias. Por isso, o setor privado estaria acompanhando o processo eleitoral em busca de sinais sobre a orientação da política econômica a partir de 2027.
Na visão do economista, um ajuste fiscal crível ajudaria a reduzir a preocupação do Banco Central com as contas públicas e poderia abrir espaço para cortes mais acentuados na taxa de juros, desde que as expectativas de inflação também melhorassem. Ele reconheceu que o cenário econômico de 2027 deverá ser desafiador, mas avaliou que uma mudança de expectativas sobre a política fiscal poderia melhorar as perspectivas de empresários e consumidores nos anos seguintes.
Investidores e agentes econômicos seguirão de perto propostas fiscais e sinais políticos nos próximos meses para avaliar a probabilidade de as promessas se transformarem em medidas concretas.
