A Opep+, que reúne países produtores de petróleo, anunciou neste domingo, 5, um aumento de 188 mil barris diários nas cotas de produção, que será implementado a partir de agosto. A decisão foi tomada por sete países, incluindo Arábia Saudita, Iraque, Kuwait, Argélia, além de Rússia, Cazaquistão e Omã, que fazem parte deste cartel.
O anúncio surge em um momento em que o tráfego de navios pelo Estreito de Ormuz começou a ser reaberto parcialmente. Esta rota é crucial para o comércio global de petróleo, com cerca de um quarto do volume mundial passando por ali. A guerra entre Estados Unidos, Israel e Irã havia impactado o fluxo de exportações, afetando especialmente países como Arábia Saudita, Kuwait e Iraque.
Com esse aumento, a Opep+ continua o processo gradual de reversão dos cortes que foram implementados nos últimos anos. Em fevereiro, a produção coletiva do cartel estava em 42,77 milhões de barris por dia, mas caiu para 33,13 milhões em maio. Embora tenha havido uma leve recuperação em junho, os níveis de produção ainda estão abaixo dos números registrados antes do conflito.
A normalização das exportações pelo Golfo Pérsico, a diminuição da demanda da China, além do aumento do fornecimento de petróleo fora do Oriente Médio e a liberação de estoques estratégicos pela Agência Internacional de Energia, têm contribuído para a queda dos preços. O barril do Brent fechou na última sexta-feira, 3, em torno de US$ 72, valor semelhante ao que era praticado antes da crise militar na região.
Recentemente, a gestão das cotas de produção ficou concentrada nos sete países que participaram da reunião, após a saída dos Emirados Árabes Unidos da aliança em maio. O aumento de produção aprovado para agosto faz parte da devolução gradual de um corte de 1,65 milhão de barris diários que foi anunciado em 2023, restando cerca de 379 mil barris desse volume para serem reincorporados ao mercado.
Uma nova reunião foi agendada para o dia 2 de agosto, e os integrantes do grupo poderão decidir sobre um novo aumento em setembro, o que pode levar à conclusão da reversão do corte excepcional. No entanto, o cenário apresenta pressões internas dentro da Opep+.
O Iraque, por exemplo, está reivindicando uma cota maior para compensar os prejuízos causados pela guerra, enquanto os Emirados Árabes Unidos se retiraram do grupo devido a discordâncias em relação aos limites de produção.
Apesar dos avanços no transporte marítimo, parte do petróleo exportado ainda está sendo retirada de estoques em navios e depósitos, indicando que a recuperação total da produção pode levar mais tempo.

