Na última quarta-feira, 1º de julho de 2026, diversas operações financeiras de alto valor foram sancionadas pelos Estados Unidos, envolvendo empresas suspeitas de participar de esquemas de lavagem de dinheiro no Brasil. Entre as empresas sancionadas está a Victory Trading Intermediação de Negócios, ligada ao empresário Victor Henrique de Oliveira Shimada, que recebeu a quantia de R$ 514,5 milhões em apenas um ano de outra empresa investigada, que supostamente faz parte da rede do Careca do INSS.
A Victory Trading, de acordo com informações, seria a beneficiária dos recursos transferidos pela Wave Intermediações. Ambas as empresas fazem parte da rede Arpar, que é composta por mais de 40 empresas. Essa rede, segundo a Comissão Parlamentar Mista de Inquérito (CPMI) do INSS, apresenta indícios de serem empresas de fachada utilizadas para a lavagem de dinheiro desviado do INSS.
O relatório final da CPMI, elaborado pelo deputado Alfredo Gaspar (PL-AL), indica que a rede Arpar movimentou mais de R$ 39 bilhões, operando para esconder a origem dos valores desviados em fraudes no sistema previdenciário. O nome da rede é derivado de uma das empresas que a compõem, controlada por um associado de Antônio Carlos Camilo Antunes, conhecido como Careca do INSS.
“A rede Arpar é responsável por movimentações financeiras que levantam suspeitas sobre a origem dos recursos e sua destinação”, afirmou Alfredo Gaspar durante a apresentação do relatório.
Além da Victory Trading, as sanções dos Estados Unidos também atingiram Victor Shimada, a Pixwave Soluções de Pagamentos, a secretária de Shimada, Stella Stefanie Nunes Henrique de Oliveira, e a empresa portuguesa Avenidas Flutuantes Unipessoal. A Wave Intermediações, que transferiu os R$ 514 milhões, não deve ser confundida com a Wave Construções Inteligentes, que também foi sancionada no mesmo dia.
Durante as investigações, a CPMI do INSS enfrentou dificuldades para acessar o sigilo bancário da Victory Trading. No entanto, relatórios de inteligência financeira apontam a empresa em conexões com a ACX ITC Serviços de Tecnologia, que também faz parte da rede Arpar. Documentos revelaram que a ACX ITC realizou pagamentos a autoridades do Judiciário, incluindo a ministra do STM Verônica Sterman e o ex-ministro do STJ Nefi Cordeiro.
“Identificamos que a empresa ACX ITC utiliza o mesmo dispositivo para realizar login em contas de outras duas empresas, a saber, Texas Quantum Serviços Digitais e Victory Trading”, informou um dos relatórios.
Apesar de ter um capital declarado de R$ 101 milhões, o proprietário da ACX ITC, Ericsson de Azevedo, leva um padrão de vida modesto, tendo recebido parcelas do Auxílio Emergencial durante a pandemia e residindo em um condomínio simples no Jaçanã, zona norte de São Paulo.

