EUA e Irã: Trump ameaça fechar Estreito de Ormuz após impasse EUA e Irã encerraram 21 horas de negociações em Islamabad, capital do Paquistão, sem alcançar um acordo de paz. Diante do fracasso, o presidente norte-americano Donald Trump declarou que ordenará à Marinha dos Estados Unidos o bloqueio do Estreito de Ormuz, principal corredor marítimo do petróleo mundial.
EUA e Irã: Trump ameaça fechar Estreito de Ormuz após impasse
O vice-presidente norte-americano, JD Vance, explicou que a delegação iraniana rejeitou as condições impostas por Washington. “Precisamos de um compromisso afirmativo de que Teerã não buscará armamento nuclear”, disse Vance ao deixar o encontro rumo a Washington. Segundo ele, essa garantia foi considerada “objetivo central” da Casa Branca, mas não houve consenso.
Teerã, representada pelo presidente do Parlamento, Mohammad-Bagher Ghalibaf, insistiu no direito de manter um programa nuclear para fins pacíficos. “Apresentamos iniciativas promissoras, porém o lado oposto não conquistou nossa confiança”, publicou o parlamentar em rede social, mencionando agressões anteriores atribuídas a EUA e Israel.
Ameaça de bloqueio no Estreito de Ormuz
Poucas horas após a ruptura das tratativas, Trump declarou que impedirá o tráfego marítimo no Estreito de Ormuz caso o Irã não ceda. Além disso, afirmou que navios que pagarem “pedágio ilegal” a Teerã serão interceptados em águas internacionais e que as minas iranianas na região serão destruídas.
Responsável por aproximadamente 20% do comércio global de petróleo, o estreito esteve parcialmente fechado desde 28 de fevereiro, quando o Irã respondeu a bombardeios feitos por EUA e Israel. O novo líder supremo iraniano, aiatolá Seyyed Mojtaba Khamenei, já havia indicado mudanças “irreversíveis” nas regras de navegação.
Especialistas alertam que qualquer bloqueio total pode pressionar ainda mais os preços internacionais do petróleo. De acordo com análise da agência Reuters, a tensão em Ormuz costuma provocar alta imediata no valor do barril, elevando custos de transporte e seguro.
Pontos de discórdia
Durante as conversas em Islamabad, estiveram em pauta o futuro do Estreito de Ormuz, o programa nuclear iraniano, indenizações de guerra, levantamento de sanções econômicas e o fim completo das hostilidades na região. O porta-voz do Ministério das Relações Exteriores iraniano, Esmaeil Baqaei, reconheceu que divergências sobre Ormuz e questões regionais persistiram, tornando impossível fechar um pacto em menos de 24 horas.
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Mesmo sem acordo, ambos os lados afirmaram manter “porta aberta” para futuras rodadas. Contudo, a sinalização de Trump sobre uso de força naval amplia o risco de escalada militar no Golfo Pérsico.
Fontes diplomáticas em Islamabad indicaram que mediadores paquistaneses tentam articular novo encontro, mas não há data definida. Enquanto isso, o Irã promete “não cessar esforços” para consolidar conquistas defensivas obtidas nos últimos 40 dias, conforme declarou Ghalibaf.
Analistas ouvidos por veículos internacionais avaliam que a crise atual remete ao impasse de 2019, quando ameaças de sanções e ataques a petroleiros quase interromperam a navegação em Ormuz. No cenário de 2026, porém, o envolvimento direto de líderes máximos de ambos os países eleva a imprevisibilidade.
Sob pressão doméstica após sucessivos conflitos no Oriente Médio, a administração Trump busca um acordo que inclua inspeções abrangentes em instalações nucleares iranianas. Em Teerã, por sua vez, o Parlamento exige garantias de que qualquer tratado respeitará a soberania e removerá gradualmente sanções financeiras.
Embora parte da comunidade internacional defenda mediação multilateral, Washington e Teerã ainda não sinalizaram aceitação de interlocutores externos além do Paquistão.
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Crédito da imagem: Reuters
Fonte: Reuters
