Os Estados Unidos fecharam um acordo com a Dinamarca e com a Groenlândia para ampliar de forma permanente a presença militar norte-americana na ilha do Ártico. O entendimento não transfere a soberania do território aos EUA, mas amplia direitos de acesso, instalação de bases e sobrevoo das forças americanas.
O acordo foi anunciado pelo presidente Donald Trump na sexta-feira, 18. Segundo autoridades americanas, Washington poderá instalar novas estruturas militares na Groenlândia quando considerar necessário. Dinamarca e Groenlândia seriam consultadas, mas, segundo a versão apresentada pelo governo americano, não teriam poder de veto sobre essas instalações.
O entendimento também proíbe que China, Rússia e outros países fora da Organização do Tratado do Atlântico Norte (Otan) mantenham bases ou tropas na ilha. Investimentos estrangeiros considerados sensíveis — em setores como telecomunicações, cabos submarinos, portos e minerais críticos — ficarão sujeitos a restrições previstas no acordo.
Dinamarca e Groenlândia afirmaram neste sábado, 19, que o acordo preserva a soberania do território e o direito de autodeterminação dos groenlandeses. Os detalhes completos do entendimento ainda não foram divulgados pelas partes envolvidas.
Atualmente, os Estados Unidos já mantêm presença militar na Groenlândia por meio da base espacial de Pituffik e possuem direitos de defesa no território desde um acordo firmado em 1951. O novo pacto amplia essa relação e, segundo autoridades americanas, não possui prazo de validade.
Desde o início de seu mandato, Trump vinha defendendo que os EUA deveriam obter maior controle sobre a Groenlândia por razões de segurança nacional, diante do aumento da atuação de Rússia e China no Ártico. A proposta chegou a provocar atritos com Copenhague e com autoridades groenlandesas, que rejeitaram a possibilidade de anexação da ilha.
Segundo o secretário de Estado Marco Rubio, o acordo encerra as preocupações de segurança dos EUA na região. Trump afirmou que o país começará a planejar uma presença militar maior na Groenlândia.
Analistas e governos deverão acompanhar os próximos passos para entender como as consultas previstas no acordo serão conduzidas e que impactos as restrições a investimentos estrangeiros terão sobre a economia e a governança local. A falta de divulgação dos detalhes completos mantém incertezas sobre mecanismos de supervisão, prazos e cláusulas específicas de atuação militar na ilha.

