EUA avaliam classificar PCC e Comando Vermelho como terroristas, medida que, segundo o promotor Lincoln Gakiya, ameaça a soberania brasileira ao permitir eventual ação militar dos Estados Unidos em território nacional.
Classificação ampliaria poder de intervenção dos EUA
Em entrevista concedida em 12 de março de 2026, o promotor de Justiça Lincoln Gakiya, do Grupo de Atuação Especial de Combate ao Crime Organizado (Gaeco) do Ministério Público de São Paulo, advertiu que a possível inclusão do Primeiro Comando da Capital (PCC) e do Comando Vermelho (CV) na lista de organizações terroristas dos Estados Unidos pode abrir precedente para operações militares estrangeiras dentro das fronteiras brasileiras. Gakiya, que há mais de duas décadas investiga o PCC e vive sob proteção policial, destacou que a legislação norte-americana autoriza ações armadas fora do país quando sua segurança nacional é considerada em risco.
Facções se enquadram como máfia, não como terrorismo, diz especialista
O promotor enfatizou que, para a Organização das Nações Unidas (ONU), o conceito de terrorismo pressupõe motivação ideológica, religiosa ou política — elementos inexistentes nas duas facções. “PCC e CV são organizações criminosas do tipo mafioso, com atuação transnacional, estrutura empresarial e capacidade de corromper agentes públicos”, explicou. Gakiya defende que o enquadramento correto das quadrilhas continue sendo o de crime organizado, evitando a militarização do tema.
Riscos econômicos e de sigilo nas investigações
Além da possibilidade de intervenção militar, o novo status jurídico permitiria aos Estados Unidos impor sanções econômicas ao Brasil, levando multinacionais a rever investimentos e sedes no país. O promotor alertou ainda que o compartilhamento de informações hoje mantido com o FBI e a agência antidrogas DEA poderia ser restringido, pois passaria a envolver a CIA e estruturas militares, dificultando investigações conjuntas em curso.
Avaliação política e opinião pública
Segundo Gakiya, parte da sociedade brasileira crê que a rotulagem de terrorismo endureceria o combate às facções, mas ele argumenta que o efeito pode ser contrário: “O assunto deixaria a esfera policial e passaria a ser tratado como questão de defesa nacional dos EUA, fechando canais de cooperação já consolidados”.
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Crédito da imagem: Agência Brasil
Fonte: Agência Brasil
