EUA classificam facções brasileiras como terroristas, decisão que passou a valer em 5 de junho e pode desencadear efeitos econômicos e geopolíticos relevantes para o Brasil, segundo autoridades e especialistas.
Governo brasileiro critica possível interferência externa
O Palácio do Planalto qualificou a medida como “indevida” por supostamente abrir brechas para intervenção nos assuntos internos sob o pretexto de combate ao terrorismo. A chancelaria brasileira sustenta que a repressão ao crime transnacional deve ocorrer por meio de cooperação internacional que respeite a soberania dos Estados.
Impactos econômicos em debate
Analistas ouvidos por veículos nacionais apontam que a rotulagem pode reduzir o fluxo de turistas, afastar investimentos estrangeiros e afetar o comércio exterior. Há também receio de restrições no sistema financeiro global, já que a designação terrorista costuma dificultar transações bancárias internacionais.
Pressão tarifária adicional
Quatro dias após o anúncio, o Escritório do Representante de Comércio dos EUA sugeriu à Casa Branca sobretaxa de 25% sobre importações brasileiras, alegando práticas comerciais desleais. O documento citou ainda o Pix como fator prejudicial a empresas norte-americanas, como Visa e Mastercard. No dia seguinte, Washington sinalizou tarifas extras de até 12,5% a exportações de 60 países, inclusive o Brasil, sob o argumento de combate a produtos feitos com trabalho forçado.
Contexto regional
A gestão Trump já havia classificado cartéis do México e grupos de Venezuela, Equador e Colômbia como terroristas. Em março, formou a coalizão “Escudo das Américas” para, oficialmente, combater o narcotráfico e, paralelamente, conter a influência econômica de China e Rússia no continente, segundo análise publicada pela agência Reuters.
O Itamaraty avalia recorrer à Lei de Reciprocidade para adotar contramedidas comerciais caso as sobretaxas sejam efetivadas. Especialistas veem na resposta diplomática um esforço para preservar a autonomia nacional e proteger setores estratégicos.
Para acompanhar desdobramentos sobre política externa e economia, visite nossa seção de Destaques e fique por dentro de análises aprofundadas.
Crédito da imagem: Reuters
Fonte: Reuters
