Após a destituição do ditador Nicolás Maduro, a Venezuela inicia um processo de redemocratização que avança lentamente. Uma fonte da diplomacia norte-americana revelou que este esforço exigirá tempo, devido aos anos de controle do regime chavista. Segundo a fonte, é fundamental sanear as estruturas do país, especialmente as Forças Armadas e os Poderes, antes de pensar em eleições.
O governo dos Estados Unidos, por meio do Departamento de Estado, ainda não considera a realização de eleições gerais. A preferência dos americanos é pela liderança de María Corina Machado no Palácio Miraflores, mas a fonte enfatizou que esse processo não pode ser apressado, podendo levar mais de um ano.
“É algo que não se faz em menos de um ano e pode ser que vá além”, afirmou a fonte diplomática.
Atualmente, Delcy Rodríguez, sucessora de Maduro, opera sob forte influência da Casa Branca. A fonte descreveu-a como uma “governante tutelada”, que tem colaborado com as exigências dos EUA, principalmente em questões relacionadas à abertura econômica, libertação gradual de presos políticos e reestruturação do setor petrolífero da Venezuela.
A avaliação é de que os EUA estão tentando implementar uma “redemocratização vigiada”, evitando um colapso institucional completo do chavismo, que ainda mantém poder no país, enquanto busca reduzir a influência de nações como Rússia, China e Irã sobre Caracas e a região da América Latina.
Nesse cenário, o petróleo se torna um elemento central da estratégia americana. A aproximação entre Washington e Caracas ocorre ao mesmo tempo em que há uma flexibilização parcial das sanções, reabertura de canais diplomáticos e estímulo para a entrada de empresas estrangeiras no setor energético venezuelano.
Apesar da cooperação de Caracas com a Casa Branca em áreas econômicas e energéticas, integrantes do chavismo trabalham para ganhar tempo, esperando a possibilidade de um governo democrata mais fraco. Mesmo que o presidente Donald Trump perca a Câmara dos Representantes ou o Senado nas eleições deste ano, a Venezuela permanecerá sob a tutela do governo americano.
“A diplomacia continua nas mãos do presidente”, ressaltou a fonte, que também reconheceu a possibilidade de uma fiscalização maior por parte do Parlamento.
No entanto, segundo o diplomata, nem mesmo os democratas demonstram interesse em interferir nesse processo.

