Motoristas de aplicativo são explorados por plataformas, diz Sakamoto Motoristas acionados por aplicativos não atuam como empreendedores, mas sim como trabalhadores submetidos a jornadas exaustivas e remuneração reduzida, conclui o cientista político Leonardo Sakamoto no livro “O que os coaches não te contam sobre o futuro do trabalho” (Editora Alameda, 243 páginas).
Motoristas de aplicativo são explorados por plataformas, diz Sakamoto
Lançada recentemente em São Paulo e Brasília e apresentada em 25 de novembro no auditório da Reitoria da Universidade Federal de Minas Gerais, a obra foi escrita em parceria com o jornalista Carlos Juliano Barros. Em entrevista à Agência Brasil, Sakamoto afirmou que os condutores “caíram no conto do vigário” ao serem convencidos de que são patrões de si mesmos.
Segundo o autor, as plataformas digitais retêm parte expressiva do valor das corridas, paga importes inferiores às reivindicações de motoristas e entregadores e não garante acesso a direitos básicos. Ao atuar como pessoas jurídicas ou freelancers fixos, esses profissionais também deixam de recolher contribuições previdenciárias, situação que compromete aposentadoria e cobertura em caso de infortúnios.
O pesquisador sustenta que, nos últimos anos, formou-se um discurso que responsabiliza a Consolidação das Leis do Trabalho (CLT) por supostos entraves à geração de emprego. “A culpa do salário baixo é do patrão; a de trabalhar seis dias por um de folga é do Congresso”, pontua. Para ele, houve um ataque sistemático aos direitos trabalhistas, legitimado por influenciadores e representantes políticos.
Com base em reportagens produzidas para os portais Repórter Brasil e UOL entre 2021 e 2025, o livro analisa outras rotas de precarização, como a continuidade do trabalho infantil e de formas contemporâneas de escravidão. Dados da Organização Internacional do Trabalho reforçam que o problema ultrapassa fronteiras e permanece atual em diversos países.
Tecnologia pode precarizar ou mobilizar
Sakamoto reconhece que as mesmas ferramentas tecnológicas usadas para gerir trabalhadores podem ser instrumentos de mobilização. Motoristas e entregadores têm organizado paralisações e reivindicado tarifa mínima por meio de redes sociais, sobretudo após o enfraquecimento dos sindicatos decorrente da reforma trabalhista de 2017.
O autor destaca também o paradoxo brasileiro: embora o país possua estruturas robustas de proteção – como Justiça do Trabalho e Ministério Público do Trabalho –, um “pensamento escravagista” persiste nos três Poderes. Ele relembra a Proposta de Emenda Constitucional das Domésticas, que ampliou direitos para a categoria majoritariamente composta por mulheres negras, mas enfrentou resistência da elite econômica.
No próximo 8 de dezembro, está prevista sessão de autógrafos no Jardim Botânico, no Rio de Janeiro. Até lá, Sakamoto segue insistindo que sociedade, Estado e plataformas debatam mecanismos capazes de assegurar remuneração justa e condições dignas aos trabalhadores digitais.
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Crédito da imagem: Marcelo Camargo/Agência Brasil
Fonte: Agência Brasil
