Madri confirma 67 mortos em Ceuta, entre afogamentos e tumultos no quebra-mar. Um pequeno grupo de migrantes foi escoltado de volta a Marrocos; Espanha intensifica controle na fronteira.
O número de mortos na crise fronteiriça entre a Espanha, em Ceuta, e o Marrocos subiu para 67, conforme informou o governo espanhol neste sábado, 1º de agosto de 2026. As vítimas incluem pessoas que se afogaram e outras que faleceram em um tumulto enquanto tentavam atravessar uma barreira junto ao quebra-mar.
Na manhã de hoje, um pequeno grupo de migrantes exaustos, que conseguiram nadar até a praia urbana de Tarajal, em Ceuta, foi recebido por soldados que os escoltaram de volta para o lado marroquino da fronteira.
Em resposta à situação, a Espanha reforçou sua fronteira com o Marrocos, instalando barreiras flutuantes com boias. Essa fronteira marítima se estende ao lado de uma área de concreto que delimita a fronteira terrestre, uma das duas que ligam a África à União Europeia, sendo a outra a de Melilla, também uma cidade autônoma espanhola no norte da África.
O ministro do Interior da Espanha, Fernando Grande-Marlaska, visitou Ceuta neste sábado e tranquilizou a população ao afirmar que, apesar de a crise não estar encerrada, a situação em Ceuta se encontra em “razoável normalidade”. Segundo ele, “quase todos” os migrantes que entraram em Ceuta na quinta-feira, um total de até 60 mil pessoas em apenas 24 horas, já deixaram o país. O ministro destacou que essa situação foi revertida com a cooperação do Marrocos.
A chegada de milhares de migrantes gerou uma crise diplomática na União Europeia, com críticas severas de diversos países e de partidos de direita. Na Itália, o governo da primeira-ministra Giorgia Meloni decidiu suspender o tratado de livre circulação da UE, conhecido como acordo Schengen, em relação à Espanha.
O Ministério do Interior italiano declarou que as novas medidas de controle afetarão apenas os cidadãos não europeus que chegam da Espanha, sem impactar os espanhóis que viajam para a Itália. O primeiro-ministro espanhol, Pedro Sánchez, reagiu ao enviar uma carta à presidente da Comissão Europeia, Ursula von der Leyen, expressando sua preocupação com “preconceitos, notícias falsas, ignorância ou interesses políticos”, além de criticar uma reação “egoísta, polarizadora e ilegal”.
