Educação impulsiona soberania no Fórum Brasil-África, diz Lula foi a principal mensagem do presidente Luiz Inácio Lula da Silva durante a abertura do 1º Fórum de Reitores Brasil-África, realizado no Centro Internacional de Convenções do Brasil (CICB). O encontro reuniu dirigentes de universidades dos dois continentes para discutir integração acadêmica e investimentos conjuntos.
Educação impulsiona soberania no Fórum Brasil-África, diz Lula
Lula associou o fortalecimento da educação à superação de desigualdades sociais, ao combate ao racismo e à consolidação da soberania nacional, argumentando que o acesso ao ensino superior crítico “assusta setores da extrema direita” por ampliar a consciência coletiva. Para o presidente, garantir autonomia universitária e liberdade de cátedra é condição para enfrentar discursos de negação científica e censura cultural.
O chefe do Executivo brasileiro retomou os cinco eixos aprovados na Cúpula Celac-África, em março, e afirmou que todos — combate à fome, mudança do clima, transição energética, democratização da inteligência artificial (IA) e integração de cadeias produtivas — dependem de formação qualificada. “Sem universidades fortes, não há pesquisa capaz de sustentar essas agendas”, declarou.
Ao destacar a IA como ferramenta estratégica, Lula alertou para o risco de “colonialismo digital”. Segundo o presidente, algoritmos controlados por poucas corporações concentram poder econômico e político, sobretudo quando produzidos em idiomas hegemônicos. Ele defendeu a construção de modelos de linguagem em línguas africanas e lembrou que o Plano Brasileiro de Inteligência Artificial reserva US$ 20 milhões para projetos conjuntos Brasil-África e US$ 10 milhões para uso compartilhado de infraestrutura nacional.
Dados do Palácio do Planalto indicam que o país mantém 235 acordos de cooperação com instituições de ensino superior de 38 nações africanas. O secretário-geral da Association of African Universities (AAU), Olusola Oyewole, reconheceu avanços iniciados no primeiro mandato de Lula, mas solicitou maior apoio na “descolonização curricular” e na expansão de atividades de pesquisa conduzidas no próprio continente.
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Durante a cerimônia, o governo brasileiro e a Coordenação de Aperfeiçoamento de Pessoal de Nível Superior (Capes) assinaram o programa Capes Move África, que destinará R$ 47,4 milhões à mobilidade acadêmica. A iniciativa prevê 2,6 mil bolsas — 1,6 mil de mestrado sanduíche e 1 mil de doutorado sanduíche — para estudantes africanos em universidades brasileiras a partir de 2027.
A agenda do fórum inclui painéis temáticos, workshops e reuniões bilaterais dedicados a áreas como agricultura, energias renováveis, mineração, petróleo e gás, setor aeroespacial, inteligência artificial e ciências humanas. A expectativa é ampliar acordos institucionais, programas de intercâmbio estudantil e cooperação tecnológica entre os países.
Especialistas da Unesco reforçam que investimentos sustentados em educação superior elevam a produtividade e reduzem desigualdades regionais, premissa que sustenta a iniciativa Brasil-África apresentada no CICB.
Com a assinatura dos novos convênios, o governo pretende consolidar a educação como pilar da diplomacia Sul-Sul, estimulando pesquisas conjuntas que respondam a desafios globais. Autoridades brasileiras e africanas reiteraram que a formação de quadros altamente qualificados será decisiva para enfrentar crises sanitárias, climáticas e alimentares nas próximas décadas.
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Crédito da imagem: Marcelo Camargo/Agência Brasil
Fonte: Agência Brasil
