Mais de 41 milhões de colombianos estão convocados para ir às urnas no próximo domingo, 31 de maio, para escolher o novo presidente do país, que governará de 2026 a 2030. A disputa eleitoral envolve 14 candidatos, entre os quais três se destacam nas pesquisas como os mais prováveis a avançar para o segundo turno, previsto para o dia 21 de junho.
O resultado da eleição poderá determinar um novo alinhamento político da Colômbia, que é o segundo país mais populoso da América do Sul, apenas atrás do Brasil. A possibilidade é que o novo presidente estreite laços com a política dos Estados Unidos ou, por outro lado, mantenha a continuidade do governo do Pacto Histórico, o grupo político liderado pelo atual presidente Gustavo Petro, que é o primeiro chefe de Estado de esquerda da história do país e não pode se candidatar novamente.
Dentre os principais candidatos estão Iván Cepeda, um filósofo de esquerda e defensor dos direitos humanos, que é aliado de Petro; Paloma Valência, uma senadora da direita tradicional e apoiadora do ex-presidente Álvaro Uribe; e Abelardo de La Espriella, um advogado milionário que admira líderes como Javier Milei, da Argentina, e Donald Trump, dos Estados Unidos. Cepeda é considerado o favorito e sua presença no segundo turno é quase certa, segundo pesquisas.
Iván Cepeda é senador e filho do também político Manuel Cepeda Vargas, que foi assassinado em 1994 por agentes estatais. Ele viveu em exílio entre 1998 e 2004 devido a ameaças decorrentes de seu trabalho em defesa dos direitos humanos. Ao longo de sua carreira, Cepeda já ocupou cargos na câmara baixa e no senado colombiano por três mandatos até 2026. Sua chapa conta com Aida Quilcue, uma candidata indígena como vice-presidente.
O candidato governista participou de negociações que resultaram nos acordos de paz com as Forças Armadas Revolucionárias da Colômbia (FARC), firmados em 2016, e é um dos idealizadores da política de ‘Paz Total’, proposta por Petro, que visa acabar com décadas de conflitos armados internos.
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“Petro vem da guerrilha M-19, Cepeda tem um histórico de legislador. São perfis diferentes dentro da esquerda colombiana”, afirma Matheus Petrelli, pesquisador do Observatório Político Sul-Americano (OPSA).
A Colômbia é um país estratégico na América do Sul, com acesso ao Pacífico e ao Caribe, e sua política externa é de grande relevância para os Estados Unidos. O governo Petro tentou aproximar-se de lideranças como a de Lula, especialmente em questões ambientais e sociais. A eleição de um novo presidente da esquerda pode manter essa proximidade, enquanto a vitória de Paloma Valência ou Abelardo de La Espriella poderia indicar um retorno a laços mais próximos com os EUA.
O ex-presidente Álvaro Uribe, que governou de 2002 a 2008, é uma figura central no debate eleitoral, especialmente por ser acusado de envolvimento no caso dos ‘falsos positivos’, quando cerca de 7,8 mil pessoas foram mortas e apresentadas como guerrilheiros. Essa questão ainda repercute na política colombiana e é uma das bandeiras de Cepeda. O ex-presidente foi condenado em primeira instância em 2025, mas absolvido em segunda.
As reformas sociais implementadas durante o governo de Petro, que elevaram a aprovação do presidente de 23% em 2023 para 49,1% em fevereiro de 2026, também desempenham um papel importante na eleição. As medidas, que incluem melhorias nas condições de trabalho e aumento do salário mínimo, são vistas como populares e podem influenciar a escolha do novo presidente.
