Escala 6×1: governo prioriza fim do modelo e redução da jornada
Escala 6×1 é o principal alvo de mudanças trabalhistas defendidas pelo ministro da Secretaria-Geral da Presidência, Guilherme Boulos, que em 23 de fevereiro de 2026 reafirmou a intenção do governo federal de substituir o regime atual por, no máximo, cinco dias consecutivos de trabalho e dois de descanso, sem corte salarial.
Meta é garantir dois dias de folga e jornada de 40 horas
Segundo Boulos, a proposta articulada com o presidente Luiz Inácio Lula da Silva prevê que cada trabalhador tenha, no mínimo, dois dias livres por semana e limite de 40 horas semanais. “Queremos assegurar qualidade de vida sem redução de vencimentos”, declarou durante o programa Alô Alô Brasil, da Rádio Nacional.
Resistência empresarial já era esperada, diz ministro
O ministro reconheceu a oposição de parte do empresariado, mas comparou o cenário a avanços históricos como salário mínimo, 13º salário e férias remuneradas. “Nunca vi patrão apoiar aumento de direitos; porém, quando essas conquistas foram aprovadas, a economia brasileira não entrou em colapso”, afirmou.
PEC da Segurança e direitos de motoristas de app também na agenda
Além do fim da escala 6×1, Boulos citou a aprovação da PEC da Segurança Pública como passo essencial para criar um Ministério específico com competências definidas em lei. Outra prioridade é regular as plataformas de transporte e entrega. O plano inclui definir percentual fixo de repasse às empresas de aplicativo, evitando que fiquem, segundo Boulos, com “até 50% do lucro do trabalhador”. A medida deve contemplar também entregadores, tema em debate em grupo de trabalho criado no fim de 2025.
Diálogo sobre hidrovias e pauta indígena
Depois da entrevista, o ministro seguiu para Brasília a fim de discutir com lideranças indígenas do Pará a revogação do Decreto nº 12.600/2025, que inseriu as hidrovias dos rios Madeira, Tocantins e Tapajós no Programa Nacional de Desestatização. O grupo alega risco ambiental e ameaça à soberania alimentar. Boulos adiantou que defenderá a pauta indígena em reunião interministerial.
Contexto internacional e referências trabalhistas
Especialistas da Organização Internacional do Trabalho ressaltam que jornadas inferiores a 44 horas tendem a aumentar a produtividade e reduzir acidentes. A proposta brasileira, portanto, alinha-se a padrões recomendados globalmente.
Em síntese, a eliminação da escala 6×1, combinada à criação de salvaguardas para trabalhadores de aplicativos e à reorganização da segurança pública, compõe a estratégia do governo para 2026. Resta ao Congresso analisar as mudanças, que podem redefinir o mercado de trabalho no país.
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Crédito da imagem: Agência Brasil
Fonte: Agência Brasil
