Carioca de nascimento e sul-mato-grossense de formação, Eduardo Riedel, 57, une gestão no campo e formação acadêmica: biologia (UFRJ), mestrado em zootecnia (Unesp) e especializações na FGV e Insead. Desde 1995 administra a Fazenda Sapé.
Carioca de nascimento e sul-mato-grossense de formação, Eduardo Corrêa Riedel, 57 anos, construiu uma trajetória que mistura gestão no campo e cargos públicos. Nascido em 5 de julho de 1969, mantém ligações familiares com a Fazenda Sapé, em Maracaju. Formou-se em Ciências Biológicas pela UFRJ, fez mestrado em Zootecnia pela Unesp de Jaboticabal e especializações em gestão pela FGV e pelo Insead, na França. É casado desde 1994 com Mônica Riedel e pai de Marcela e Rafael.
A carreira ligada ao agronegócio começou na administração da propriedade rural da família, em 1995. Com foco em tecnologia, sustentabilidade e governança, a Fazenda Sapé se tornou referência no setor, o que levou Riedel à presidência do Sindicato Rural de Maracaju em 1999. Posteriormente, ocupou a vice-presidência e, entre 2012 e 2014, a presidência da Federação da Agricultura e Pecuária de Mato Grosso do Sul (Famasul). Também teve passagem como diretor da Confederação da Agricultura e Pecuária do Brasil (CNA) e integrou o conselho do Sebrae. Em 2017, figurou entre as 100 personalidades consideradas mais influentes no agronegócio do país.
A entrada na administração estadual ocorreu em 2015, a convite do então governador Reinaldo Azambuja. Riedel assumiu a Secretaria de Estado de Governo e Gestão Estratégica (Segov), cargo que ocupou até 2021, participando de reformas administrativas apontadas como responsáveis por redução de despesas e modernização de processos. Em fevereiro de 2021, passou à Secretaria de Infraestrutura, de onde saiu em abril de 2022 para disputar o governo do estado.
Estreante em eleições, Riedel foi candidato a governador em 2022 pelo PSDB, com José Carlos Barbosa (Barbosinha, então no PP) como vice. No primeiro turno, obteve 25,16% dos votos (361.981) e avançou ao segundo turno contra Renan Contar (PRTB). Em 30 de outubro de 2022, venceu a disputa com 56,90% dos votos válidos (808.210), contra 43,10% do adversário, e assumiu o governo em 1º de janeiro de 2023. Foi registrada a primeira eleição em que um governador de Mato Grosso do Sul elegeu o seu sucessor.
Na gestão estadual, o governo tem destacado crescimento econômico acima da média nacional e atração de investimentos privados superiores a R$ 81 bilhões em três anos. Outros pontos ressaltados incluem a terceira menor taxa de desocupação do país, avanços em mobilidade social e programas como Infovia Digital (internet de alta velocidade nos 79 municípios), regionalização da saúde com hospitais regionais, parcerias público-privadas como a do Hospital Regional de Campo Grande, Mais Social, CNH MS Social, ampliação do saneamento e obras urbanas por meio do programa MS Ativo. O governo também indica redução de índices de criminalidade e ações de atendimento a mulheres em situação de violência.
Um levantamento apontou cumprimento integral de 5 das 20 promessas de 2022, cumprimento parcial de 9 e não cumprimento de 6, entre elas a meta de 70 mil unidades habitacionais. Em agosto de 2025, Riedel deixou o PSDB, partido ao qual era filiado por mais de duas décadas, e se filiou ao Progressistas (PP), tornando-se o terceiro governador filiado à legenda.
Para 2026, Riedel foi lançado pela Federação União Progressista em coligação com diversos partidos, novamente tendo Barbosinha como vice. Pesquisas recentes o colocam na liderança, com cerca de 49% das intenções de voto e aprovação da gestão em torno de 70% em alguns levantamentos. O candidato tem defendido responsabilidade fiscal, expansão do agronegócio, investimento em educação e endurecimento no combate ao crime organizado.
Riedel se apresenta com perfil técnico e discreto, centrado em resultados. Aliados destacam a continuidade da administração iniciada com Azambuja e a ausência de grandes escândalos. Críticos apontam desafios persistentes na segurança da fronteira e o cumprimento incompleto de algumas metas de campanha. A corrida eleitoral de 2026 ocorre em um cenário de forte polarização nacional; o governador declarou apoio a Flávio Bolsonaro (PL) à Presidência, embora afirme não ser antipetista.
Em outubro, o eleitor de Mato Grosso do Sul decidirá se a linha de gestão ligada ao agronegócio e à ênfase em resultados terá continuidade no comando do estado.
