Datagro estima que excesso de chuva no Centro-Sul pode deixar 35 milhões de toneladas de cana para a próxima safra. A umidade atrasa a entrada de máquinas e reduz o ATR, prejudicando a eficiência da moagem.
O excesso de chuvas no Centro-Sul do Brasil pode deixar cerca de 35 milhões de toneladas de cana-de-açúcar para serem processadas na próxima safra, segundo estimativa da consultoria Datagro. Esse volume superaria o recorde anterior de 24 milhões de toneladas que ficaram no campo no ciclo 2015/2016.
A chuva tem dificultado a entrada das máquinas nos canaviais e também reduzido a qualidade da matéria-prima. O excesso de umidade diminui o teor de Açúcar Total Recuperável (ATR), indicador usado para medir a quantidade de açúcar que pode ser extraída da cana, o que compromete a eficiência da moagem.
Além do efeito sobre a qualidade, o solo encharcado favorece o aparecimento de pragas, como a cigarrinha-da-raiz, e o peso adicional das plantas aumenta o risco de tombamento, dificultando ainda mais a colheita mecanizada. Essas condições podem alongar o período de moagem para além do calendário habitual das usinas.
O atraso pode fazer com que a moagem, que normalmente termina em novembro, avance até o fim de fevereiro ou início de março de 2027. Com a umidade prejudicando a cristalização necessária para fabricar açúcar, parte da cana poderá ser direcionada para a produção de etanol.
Em outra projeção, a empresa de serviços financeiros StoneX estima que mais de 20 milhões de toneladas sejam transferidas para o próximo ciclo. Conforme essa estimativa, cerca de 10 milhões de toneladas seriam processadas em março e outras 22 milhões incorporadas à safra 2027/28.
A variação entre as projeções reflete incertezas sobre o comportamento do clima nas próximas semanas e sobre a capacidade das lavouras e das unidades industriais de adequar a operação diante das condições de umidade. O setor deverá acompanhar o desenvolvimento das lavouras e ajustar o planejamento de moagem conforme a evolução das chuvas e do estado fitossanitário da cana.
O cenário desenha um desafio logístico e operacional para a próxima temporada de processamento, com impactos potenciais na produção de açúcar e etanol, na programação das usinas e na cadeia de suprimentos do setor sucroalcooleiro.
