Passagens e diárias de autoridades e funcionários ao Fórum de Lisboa saem do bolso do contribuinte. Registros em diários oficiais confirmam os gastos com o evento comandado pelo ministro Gilmar Mendes.
O contribuinte brasileiro arcará com as passagens e diárias de pelo menos 135 autoridades e funcionários públicos que participarão do Fórum de Lisboa, em Portugal, evento também conhecido como “Gilmarpalooza”. A informação foi confirmada por meio de registros em diários oficiais e páginas de transparência. O evento, que é comandado pelo ministro Gilmar Mendes, do Supremo Tribunal Federal (STF), teve início na segunda-feira, 1º de junho, e atraiu uma grande quantidade de políticos e juízes para encontros sociais, além dos debates oficiais.
Entre os órgãos que custearão as despesas, o Tribunal de Justiça do Piauí e o Tribunal de Contas da União (TCU) se destacam, com gastos totais que somam R$ 692 mil. O Tribunal de Justiça do Piauí aprovou o envio de uma comitiva de 13 integrantes, reservando R$ 392 mil para as despesas na Europa. Já o TCU também autorizou a participação de 13 representantes, incluindo quatro ministros, que custearão R$ 300 mil dos cofres públicos para a viagem.
O governador do Tocantins, Wanderlei Barbosa, do Republicanos, é outro que embarcou com uma comitiva de oito pessoas. A primeira-dama do Estado, Karynne Sotero Campos, também fez parte da viagem, com os custos de passagens aéreos pagos pelo governo local. O governo do Tocantins não divulgou o valor total gasto com as hospedagens, mas justificou que a viagem tem como objetivo apresentar o potencial de negócios da região no exterior.
A Advocacia-Geral da União (AGU) é o órgão que lidera o número de servidores liberados para o evento, com 22 autorizações de viagem. Além disso, pelo menos quatro senadores solicitaram dispensa das atividades em Brasília, alegando missão oficial internacional. O ex-presidente Michel Temer também garantiu o embarque de dois seguranças particulares, com os custos bancados pelo Estado, para acompanhá-lo em Portugal.
O ministro Gilmar Mendes fez contatos diretos com magistrados nos dias que antecederam o evento, reforçando os convites e buscando assegurar a presença de representantes do Judiciário, especialmente após o escândalo do Banco Master e as críticas de ética levantadas pelo presidente do STF, Edson Fachin. Em uma entrevista, Gilmar Mendes rebateu as críticas sobre os custos do encontro, afirmando que os opositores são ingênuos.
A organização do Fórum de Lisboa defendeu o caráter estritamente acadêmico do evento, ressaltando que o debate científico atende aos princípios da administração pública. A direção do encontro afirmou que cada repartição governamental possui autonomia para decidir sobre o uso das verbas de viagem. Até o presente momento, a Câmara dos Deputados e os ministérios do governo federal não divulgaram a lista de parlamentares e assessores que participarão do evento.
