Dia Mundial da Hemofilia reforça urgência do diagnóstico A data, celebrada em 17 de abril, motiva campanha internacional que aponta: mais de 75% das pessoas com o distúrbio ainda não receberam confirmação clínica, barrando o acesso a tratamento adequado.
Diagnóstico é porta de entrada para o cuidado
A Federação Mundial da Hemofilia calcula que centenas de milhares de indivíduos convivem com sangramentos recorrentes sem saber a causa. Segundo o presidente da entidade, Cesar Garrido, barreiras laboratoriais e de infraestrutura mantêm taxas de detecção “inaceitavelmente baixas” em muitos países. Ele conclama a comunidade global a fortalecer serviços de testagem, lembrando que “sem diagnóstico não há tratamento e, sem tratamento, não há progresso”.
Como o distúrbio afeta o organismo
De acordo com o Ministério da Saúde, a hemofilia é uma enfermidade genética rara que compromete a coagulação sanguínea. O corpo deixa de produzir, em quantidade suficiente, fatores que formam o coágulo responsável por estancar sangramentos. Há dois subtipos principais: hemofilia A, provocada pela deficiência do fator VIII, e hemofilia B, relacionada à falta do fator IX.
A gravidade varia conforme o percentual do fator no plasma: grave (menos de 1%), moderada (1% a 5%) e leve (acima de 5%). Nos quadros leves, o problema pode passar despercebido até a idade adulta, enquanto as formas graves desencadeiam hemorragias articulares e musculares logo na infância.
Incidência maior entre homens
Por estar ligada ao cromossomo X, a doença atinge principalmente o sexo masculino. Mulheres são, na maioria das vezes, portadoras assintomáticas, mas podem desenvolver sintomas se herdarem o gene alterado de ambos os pais ou apresentarem níveis muito baixos de fator VIII ou IX.
Situação no Brasil e produção nacional de medicamentos
Dados oficiais de 2024 registram 14.202 brasileiros vivendo com hemofilia, dos quais 11.863 apresentam a forma A e 2.339, a forma B. A Empresa Brasileira de Hemoderivados e Biotecnologia (Hemobrás) fornece ao Sistema Único de Saúde (SUS) insumos como o fator VIII, em versões plasmática e recombinante. A fábrica, instalada em Goiana (PE), é considerada estratégica para reduzir a dependência de importações e garantir estoque regular aos pacientes.
Em comunicado recente, a Hemobrás afirmou que a produção interna funciona como “escudo logístico e tecnológico”, permitindo terapia profilática contínua e qualidade de vida a quem enfrenta o distúrbio.
No mês dedicado à conscientização, especialistas reforçam que identificar precocemente níveis alterados de fator VIII ou IX evita danos articulares irreversíveis e reduz internações. Profissionais de saúde destacam a importância de exames específicos sempre que houver histórico familiar ou sangramentos inexplicáveis.
Para mais informações sobre cuidados preventivos e outras iniciativas de saúde, acesse a editoria Saúde do Giro pela Bahia e acompanhe nossas atualizações.
Crédito da imagem: Hemobrás
Fonte: Hemobrás
