Terapias celulares contra o câncer ganham impulso no Sistema Único de Saúde com a inauguração, na Fundação Oswaldo Cruz (Fiocruz), do Centro de Desenvolvimento e Produção de Terapias CAR-T, que viabilizará a fabricação nacional desse tratamento avançado a valores menores.
Terapias celulares contra o câncer: Fiocruz inicia produção
Centro aposta em tecnologia CAR-T acessível pelo SUS
Considerada um dos maiores avanços recentes da oncologia, a terapia CAR-T utiliza células de defesa do próprio paciente, geneticamente modificadas em laboratório, para reconhecer e destruir tumores. Com a estrutura lançada na Fiocruz, o Brasil passa a integrar o grupo restrito de países capazes de desenvolver e produzir internamente a tecnologia, assegurando oferta gratuita pelo SUS.
O novo centro integra o Programa para Ampliação e Modernização de Infraestrutura do Complexo Econômico-Industrial da Saúde (PDCEIS), vinculado ao Novo PAC, que já destinou R$ 330 milhões à iniciativa. Segundo a Fiocruz, a produção nacional permitirá reduzir drasticamente o preço do tratamento, hoje avaliado em até R$ 2 milhões no mercado internacional.
Pacientes com leucemia, linfoma e mieloma serão os primeiros beneficiados
A terapia CAR-T da Fiocruz priorizará, inicialmente, casos de leucemia, linfoma e mieloma refratários às terapias convencionais. Durante a solenidade de lançamento, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva destacou o potencial da plataforma para “salvar vidas e reafirmar a soberania científica do país”. Ao lado dele, o ministro da Saúde, Alexandre Padilha, ressaltou que a combinação de inovação e acesso gratuito “é a essência do SUS”.
O evento contou ainda com a presença de Paulo Peregrino, curado de um linfoma após participar de um estudo clínico semelhante conduzido pela Universidade de São Paulo (USP). Ele relembrou que o procedimento custaria milhões se não tivesse sido realizado no âmbito da pesquisa, evidenciando a importância da produção pública.
Novo prédio fortalece pesquisa translacional
Além do centro de terapias celulares, a Fiocruz entregou a sede exclusiva do Centro de Desenvolvimento Tecnológico em Saúde (CDTS), criado em 2002. O espaço recebeu R$ 370 milhões para ampliar projetos em vacinas, fármacos, biofármacos e diagnósticos estratégicos para o SUS, reforçando a autonomia nacional em saúde.
Especialistas da Organização Mundial da Saúde apontam que terapias avançadas como a CAR-T têm “potencial revolucionário na luta contra o câncer”, mas dependem de infraestrutura robusta para chegar aos pacientes (WHO).
No mesmo ato, o programa Caminhos da Saúde entregou 40 ambulâncias do SAMU a municípios fluminenses e apresentou o primeiro micro-ônibus destinado ao transporte gratuito de pacientes em tratamento de radioterapia ou hemodiálise, ampliando a rede de cuidados.
Com as novas unidades, o governo federal reforça o compromisso de “não ser inferior a nenhuma nação em ciência e tecnologia”, afirmou Lula, defendendo investimentos contínuos em pesquisa mesmo diante de resultados incertos.
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Crédito da imagem: Rovena Rosa/Agência Brasil
Fonte: Agência Brasil
