Especialistas dizem que a experiência do cirurgião, avaliação pré-operatória e estrutura do local são decisivos para reduzir riscos. Protocolos e número de procedimentos também pesam na segurança.
A lipoaspiração é um dos procedimentos de cirurgia plástica mais populares no Brasil e no mundo, mas ainda gera dúvidas e opiniões divergentes. Apesar de ser a cirurgia estética mais realizada no país, com cerca de 290 mil procedimentos em 2024, a segurança da lipoaspiração é frequentemente questionada, especialmente após casos de complicações graves que ganham destaque na mídia.
Dados da International Society of Aesthetic Plastic Surgery (ISAPS) revelam que, globalmente, aproximadamente 2 milhões de lipoaspirações foram realizadas em 2024. Este número expressivo demonstra não apenas a popularidade do procedimento, mas também os avanços técnicos que têm sido alcançados ao longo das décadas.
A técnica da lipoaspiração evoluiu desde a década de 1970, quando os médicos Arpad e Giorgio Fischer desenvolveram as primeiras cânulas para a retirada controlada de gordura. Desde então, houve inovações significativas, como a introdução de cânulas rombas e a técnica úmida por Yves Gérard Illouz, que reduziram o trauma cirúrgico e a perda de sangue. Jeffrey Klein, anos depois, apresentou a solução tumescente, que melhorou o controle do sangramento e a recuperação dos pacientes.
Nas últimas duas décadas, novas tecnologias, como técnicas assistidas por ultrassom, tornaram a lipoaspiração mais precisa. No entanto, é importante frisar que, apesar de todos esses avanços, a lipoaspiração é uma cirurgia e, como tal, possui riscos que devem ser considerados. Complicações como alterações no contorno corporal e acúmulo de líquidos podem ocorrer, mas na maioria das vezes são tratáveis.
Complicações mais graves, como infecções e tromboembolismo, também estão entre os riscos, mas não significam que a lipoaspiração seja um procedimento de alto risco por si só. Na verdade, a segurança do procedimento depende de diversos fatores, incluindo a formação do profissional, a indicação correta e o ambiente em que a cirurgia é realizada.
A escolha do cirurgião é fundamental. Médicos com formação em cirurgia plástica têm a capacitação necessária para indicar corretamente o procedimento e lidar com possíveis intercorrências. A avaliação pré-operatória é igualmente crucial, pois condições como doenças cardiovasculares e diabetes podem impactar o risco cirúrgico.
O local da cirurgia também é um fator determinante. Embora procedimentos menores possam ser feitos em clínicas, cirurgias mais complexas devem ocorrer em hospitais que oferecem suporte adequado. Além disso, o acompanhamento no pós-operatório é essencial para garantir uma recuperação segura e identificar rapidamente quaisquer problemas.
Portanto, a popularidade da lipoaspiração não deve levar à impressão de que se trata de um procedimento simples. O elevado número de cirurgias reflete um amadurecimento técnico e a implementação de protocolos rigorosos para a segurança do paciente. Quando realizados corretamente, os procedimentos de lipoaspiração apresentam um perfil de segurança comparável a outras cirurgias.
