CPI do Crime Organizado chama Ibaneis Rocha, Cláudio Castro e Campos Neto A Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) do Crime Organizado do Senado aprovou, em 31 de março, a convocação dos ex-governadores Ibaneis Rocha (DF) e Cláudio Castro (RJ), além do ex-presidente do Banco Central Roberto Campos Neto, que deverão prestar esclarecimentos como testemunhas qualificadas.
CPI do Crime Organizado chama Ibaneis Rocha, Cláudio Castro e Campos Neto
O pedido para ouvir Ibaneis Rocha partiu do relator Alessandro Vieira (MDB-SE). O senador quer detalhes sobre contratos milionários do escritório de advocacia fundado pelo ex-governador com empresas investigadas pela Polícia Federal, entre elas entidades vinculadas ao Grupo Reag Investimentos e ao Banco Master. Vieira também pretende esclarecer os critérios que levaram o Banco de Brasília (BRB) a negociar a compra do Banco Master, transação que teria contado com a influência direta de Ibaneis.
Informações preliminares apontam que o escritório do ex-governador recebeu transferências consideradas atípicas do Grupo J&F. À frente do Executivo distrital, Ibaneis teria atuado para que o BRB comprasse cerca de R$ 12,2 bilhões em créditos questionados do banco privado, pertencente ao empresário Daniel Vorcaro.
Quanto a Cláudio Castro, Vieira sustenta que o depoimento do político fluminense é “indispensável” para avaliar falhas no combate à lavagem de dinheiro e à infiltração do crime organizado no Estado do Rio de Janeiro. Para o relator, o território fluminense passou a funcionar como laboratório de dinâmicas criminosas cada vez mais complexas, incluindo a convergência entre facções do narcotráfico e milícias — fenômeno batizado de “narcomilícia”.
A CPI recorreu à convocação formal depois que Ibaneis e Castro não atenderam aos convites iniciais. O colegiado adotou o mesmo procedimento em relação a Roberto Campos Neto, que deixou o Banco Central em janeiro de 2025 e alegou impossibilidade de comparecer na data marcada. Vieira frisou que a oitiva do ex-chefe da autoridade monetária não pressupõe culpa, mas pode contribuir para entender práticas institucionais do BC que impactam o esforço de asfixia financeira de organizações criminosas.
Os senadores também aprovaram a convocação do ex-diretor de Organização do Sistema Financeiro Renato Dias de Brito Gomes e autorizaram quebras de sigilo bancário e fiscal de pessoas físicas e jurídicas já investigadas, conforme exigências recentes do Supremo Tribunal Federal.
Segundo especialistas consultados pelo portal do Senado Federal, a estratégia de ouvir antigos gestores públicos e dirigentes do sistema financeiro pode acelerar a identificação de gargalos legais que favorecem atividades ilícitas.
No próximo cronograma de trabalho, a CPI deve definir as datas dos depoimentos e a ordem de análise dos documentos sigilosos.
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Crédito da imagem: Agência Brasil
Fonte: Agência Brasil
