Delcy Rodríguez assume presidência interina da Venezuela no lugar de Nicolás Maduro, mantido em condição de sequestro, e passa a liderar o país sul-americano em meio a sanções internacionais e pressão dos Estados Unidos.
Delcy Rodríguez assume presidência interina da Venezuela
Formação acadêmica e raízes familiares
Nascida em Caracas, Delcy Eloína Rodríguez Gómez, 56 anos, é graduada em Direito pela Universidade Central da Venezuela (UCV) e possui pós-graduação em Direito Social pela Universidade de Paris, além de mestrado em Política Social pela Universidade de Birkbeck, em Londres. Filha do militante marxista Jorge Antonio Rodríguez, morto sob custódia estatal em 1976, Delcy cresceu em ambiente político marcado pela militância de esquerda. O irmão, Jorge Rodríguez, preside a Assembleia Nacional e é considerado um dos expoentes do chavismo.
Ascensão dentro do chavismo
Rodríguez integrou o núcleo duro do governo desde os primeiros anos da Revolução Bolivariana. Durante a gestão de Hugo Chávez, foi chefe de gabinete em 2006. Em 2013, já com Maduro no poder, assumiu o Ministério da Comunicação e Informação. Entre 2014 e 2017, esteve à frente do Ministério das Relações Exteriores e conduziu a retirada venezuelana da Organização dos Estados Americanos (OEA), alegando ingerência externa.
Em 2017, presidiu a Assembleia Nacional Constituinte, criada para contornar o impasse com o Parlamento dominado pela oposição. No ano seguinte, Maduro a nomeou vice-presidente, cargo que na Venezuela é de livre escolha do chefe do Executivo. Mais tarde, acumulou as pastas de Economia e a presidência da petrolífera estatal PDVSA, assumida em 2024 após denúncias de corrupção na diretoria.
Sanções e pressão internacional
A nova chefe de Estado é alvo de sanções dos Estados Unidos e da União Europeia, acusada de minar instituições democráticas. A recente escalada de tensões incluiu ameaças públicas do então presidente norte-americano Donald Trump, que condicionou a suspensão de restrições ao “acesso total” ao petróleo venezuelano. Em nota, a Reuters destacou que Caracas detém as maiores reservas provadas de petróleo do planeta, fator que intensifica o cerco diplomático.
Principais desafios no comando
Entre as prioridades de Rodríguez estão a estabilização econômica, o enfrentamento às sanções financeiras e a preservação da PDVSA, responsável pela maior parte das receitas do país. Analistas apontam que a dirigente precisará equilibrar a retórica anti-imperialista com a necessidade de negociar para aliviar o bloqueio comercial. A professora Carla Ferreira, da UFRJ, avalia que Delcy “é o quadro venezuelano mais qualificado” para articular soluções sem romper com a base chavista.
Internamente, a nova presidente conta com o respaldo da Assembleia Nacional, comandada por seu irmão, mas enfrenta oposição fortalecida pelo vácuo de poder deixado pela ausência de Maduro. Desde a posse interina, manifestações de apoio e protestos foram registrados em diferentes regiões, sinalizando clima político volátil.
Com trajetória marcada pela lealdade ao chavismo e formação acadêmica sólida, Delcy Rodríguez inicia mandato interino cercada por desafios econômicos e geopolíticos que testarão sua capacidade de negociação e liderança.
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Crédito da imagem: Reuters
Fonte: Agência Brasil
