CPMI do INSS ouviu o empresário Paulo Camisotti em 26 de fevereiro, mas ele exerceu o direito constitucional ao silêncio durante toda a sessão que investiga um suposto esquema bilionário de descontos irregulares em benefícios de aposentados e pensionistas.
Empresário usa habeas corpus e evita responder perguntas
Convocado na condição de testemunha, o dirigente de 33 anos chegou amparado por habeas corpus concedido pelo Supremo Tribunal Federal. Orientado por sua defesa, limitou-se a confirmar que preside a Associação Brasileira de Empresas de Cartões de Saúde e Benefícios (ABCS) e que é filho de Maurício Camisotti, preso desde setembro de 2025 por suspeita de participação na fraude.
O relator da CPMI do INSS, deputado Alfredo Gaspar (União-AL), abriu a oitiva perguntando se Paulo havia sido condenado em algum processo. O depoente permaneceu calado. Diante das sucessivas negativas em responder, parlamentares destacaram que o silêncio não impede a continuidade das investigações nem o indiciamento futuro.
Relator aponta rede familiar e movimentação de R$ 800 milhões
Durante a exposição de motivos, Gaspar detalhou indícios de que empresas ligadas à família Camisotti movimentaram mais de R$ 800 milhões, dos quais cerca de R$ 350 milhões teriam beneficiado diretamente pai e filho. Segundo o relator, a principal engrenagem do desvio seria a Associação dos Aposentados Mutualistas para Benefícios Coletivos (Ambec), que teria retido quase R$ 500 milhões em descontos associativos sem a prestação de serviços.
O parlamentar também descreveu uma suposta teia de parentes na administração da Ambec: o primeiro presidente, Ademir Fratic Bacic, é primo de Paulo; José Hermicesar Brilhante, outro dirigente, teria trabalhado em empresas do grupo; Luciene de Camargo Bernardo seria prima de Maurício; e Antonio Fratic Bacic, tio de Paulo. Para Gaspar, a proximidade familiar reforça a hipótese de organização criminosa.
Em comparação, o deputado afirmou que o clã Camisotti seria “cinco vezes mais forte que o Careca do INSS”, apelido de Antônio Carlos Camilo Antunes, citado como um dos principais operadores do esquema. Antunes, de acordo com a investigação, atuava como procurador da Ambec.
A defesa de Paulo Camisotti não comentou as acusações durante a audiência. A conduta é prevista no ordenamento jurídico brasileiro e foi amparada pelo artigo 5.º da Constituição, que garante o direito de não produzir prova contra si mesmo, conforme explica o Senado Federal.
Próximos passos da investigação
A CPMI deve ouvir novos depoimentos e requisitar quebras de sigilo bancário para rastrear o destino dos recursos. Relatório parcial, previsto para as próximas semanas, poderá sugerir indiciamentos por estelionato, peculato e organização criminosa.
Para acompanhar mais atualizações sobre investigações e decisões judiciais, acesse nossa editoria de Justiça e continue informado.
Crédito da imagem: Carlos Moura/Agência Senado
Fonte: Agência Brasil
