CPI do Crime aprovou, em 18 de março, requerimentos decisivos para rastrear os beneficiários finais dos fundos ligados ao Banco Master e à Reag Investimentos, suspeitos de movimentar recursos ilícitos.
Aprofundamento da investigação financeira
O relator, senador Alessandro Vieira (MDB-SE), solicitou à Comissão de Valores Mobiliários, ao Banco Central, à Receita Federal e à Anbima a identificação completa de quem, de fato, lucra com os fundos exclusivos ou restritos administrados pelas duas instituições. Segundo o parlamentar, a multiplicidade de camadas societárias tem dificultado a descoberta do real destino dos valores, prática típica de lavagem de dinheiro.
Quebras de sigilo e convocações aprovadas
Entre as medidas endossadas, estão:
- Convocação da influenciadora Martha Graeff, ex-noiva do banqueiro Daniel Vorcaro, apontada como favorecida com um imóvel de R$ 450 milhões.
- Convocação do ex-governador de Mato Grosso Pedro Taques, que denuncia fraudes em créditos consignados no estado.
- Quebra dos sigilos fiscal, bancário e telefônico da empresa aérea Prime Aviation, utilizada para transportar aliados políticos em voos particulares.
A senadora Soraya Thronicke (Podemos-MG), autora dos pedidos, reforçou que a companhia aérea seria “peça central” na estrutura de empresas destinadas à lavagem de capitais, citando a cessão de aeronave ao deputado Nikolas Ferreira (PL-MG) durante a campanha de 2022.
Propostas rejeitadas pela comissão
Por seis votos contra dois, a maioria descartou a quebra dos sigilos bancário e fiscal do ex-ministro da Fazenda Paulo Guedes, acusado por governistas de ter favorecido o esquema por meio de políticas de desregulação do mercado financeiro. Também foi recusada, por seis votos a quatro, a convocação do presidente do PL, Valdemar da Costa Neto, que admitiu doações de R$ 3 milhões do cunhado de Vorcaro à campanha presidencial de 2022.
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Pedidos voltados ao ex-presidente do Banco Central Roberto Campos Neto e ao ex-ministro da Cidadania João Roma foram retirados antes da votação. Para o senador Marco Rogério (PL-RO), tais iniciativas extrapolavam o escopo da CPI e visavam “disputas político-eleitorais”. Já Rogério Carvalho (PT-SE) destacou que as supostas fraudes floresceram sob a supervisão econômica do governo anterior, tornando inevitável a dimensão política da apuração.
Ausência de ex-diretor do Banco Central
A comissão pretendia ouvir o ex-diretor de fiscalização do Banco Central Paulo Sérgio Neves de Souza, afastado por suspeita de vínculo com Vorcaro. Contudo, decisão do ministro do STF André Mendonça tornou a presença opcional, e o ex-servidor não compareceu.
Próximos passos
Com as novas quebras de sigilo e as convocações, os senadores esperam traçar a linha do fluxo financeiro entre os fundos investigados e eventuais beneficiários ocultos. Alessandro Vieira defende que a exposição dos nomes permitirá cruzar informações bancárias, fiscais e societárias para apontar responsabilidades penais e civis.
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Crédito da imagem: Saulo Cruz/Agência Senado
Fonte: Agência Brasil
