Herdada do atual governo, uma sobrecarga de quase R$ 1 trilhão será embutida nas faturas de energia dos brasileiros. O valor equivale a seis vezes o orçamento anual do Bolsa Família.
O terceiro mandato do presidente Luiz Inácio Lula da Silva trouxe à tona um impacto significativo nas contas de energia elétrica dos consumidores. Um estudo da Frente Nacional dos Consumidores de Energia revela que a atual legislatura deixará uma herança pesada de R$ 985 bilhões em despesas extras para os usuários de energia até o ano de 2050. Esse valor considera os custos adicionais que serão embutidos nas faturas, sem levar em conta os reajustes anuais normais e as correções pela inflação.
Esse montante é comparável a seis vezes o orçamento anual do Bolsa Família ou cinco vezes os recursos destinados ao programa Minha Casa, Minha Vida. Os gastos extras são atribuídos a novos custos relacionados ao Tratado de Itaipu e à prorrogação de incentivos fiscais para projetos de fontes renováveis. Além disso, o setor elétrico enfrenta desafios com a contratação de usinas térmicas, necessárias para atender à demanda durante os horários de pico.
“O setor elétrico vive uma desordem completa e exige uma reforma urgente no modelo de negócios para estancar a cobrança abusiva na fatura”, afirmou a associação dos consumidores.
Em resposta, o Ministério de Minas e Energia contestou os números apresentados, chamando a metodologia do estudo de superficial. O governo federal argumentou que a análise não considerou os benefícios sociais das políticas públicas implementadas atualmente.
Outro ponto crítico no setor energético é a saturação da rede, especialmente em horários de pico. O Operador Nacional do Sistema (ONS) relata dificuldades diárias para equilibrar a rede de abastecimento e evitar apagões, especialmente com o aumento da capacidade de geração de energia solar. A produção de energia solar em residências cresceu de 26 giga-watts para 45 giga-watts no ano passado, e como essa produção não é controlada pelo órgão, o ONS teve que reduzir a operação de 20% das grandes usinas eólicas e solares para manter a estabilidade da rede.
O fim da tarde se tornou um período crítico, pois a produção das placas solares cessa exatamente quando a demanda aumenta, com muitas pessoas chegando em casa e ligando eletrodomésticos. Para evitar o colapso do sistema, o governo tem acionado usinas térmicas de emergência, que geram energia a um custo significativamente mais alto.
