Ao menos 69 pessoas morreram na batida entre um trem da Renfe e outro da Iryo a cerca de 150 km ao sul de Madrid. Equipes de resgate seguem vasculhando vagões destruídos no segundo grande desastre ferroviário do ano.
A Espanha iniciou nesta quinta-feira (29) um período de três dias de luto pela morte de pelo menos 69 pessoas na colisão de dois trens ocorrida na quarta-feira (28). Equipes de resgate continuavam procurando vítimas entre os vagões destruídos do segundo grande desastre ferroviário do ano no país.
O acidente aconteceu a cerca de 150 quilômetros ao sul de Madrid, quando um trem da companhia estatal Renfe, que havia partido da capital com destino a Sevilha, colidiu com uma composição da empresa Iryo que estava parada na via. O choque ocorreu às 8h53 locais (4h53 de Brasília).
O balanço provisório divulgado pelas autoridades regionais de Castilla-La Mancha apontou 69 mortos e quase 50 feridos hospitalizados. Os serviços de emergência, auxiliados por guindastes, seguiam vasculhando a massa de ferros retorcidos nos vagões mais atingidos, e cães especializados da Guarda Civil trabalhavam na área em busca de vestígios biológicos.
“Eles estão percorrendo os trilhos para ver se há algum vestígio biológico, que é a nossa prioridade neste momento”, explicou Pedro Pablo Garrido, porta-voz da Guarda Civil de Toledo.
Entre os sobreviventes está Pablo Mejía, de 42 anos, que relatou ter sentido o impacto e acreditou ter escapado por ter se deslocado para outro vagão antes da colisão. Ele apresentou ferimentos no rosto e o casaco ensanguentado.
“Foi uma pancada muito forte, durou muito tempo”, disse Pablo Mejía. “Acho que nasci de novo”.
Segundo os primeiros indícios oficiais, por volta das 8h30 locais uma “falha informática” afetou um trecho de 69 quilômetros, o que levou à paralisação prevista de seis trens, incluindo os dois envolvidos no acidente. Pelo menos um dos trens, o da Renfe, retomou a marcha normalmente alguns minutos depois, sem adotar as precauções de velocidade estabelecidas, percorrendo cerca de 25 quilômetros antes de atingir a parte traseira do trem da Iryo.
O ministro dos Transportes, Óscar Puente, afirmou que a ordem de retomar a marcha partiu do centro de controle e classificou a decisão como “equivocada” e, do ponto de vista das autoridades, “inexplicável”.
Após reunião do comitê de emergências, o primeiro-ministro Pedro Sánchez reiterou o compromisso de esclarecer causas e reforçar a segurança na rede ferroviária.
“Estamos trabalhando dia e noite não apenas para dar uma resposta aos familiares das vítimas, mas também para esclarecer até o último detalhe desta tragédia e, é claro, reforçar a segurança para que isto não volte a acontecer”, disse o primeiro-ministro.
Os reis Felipe VI e Letizia visitarão nesta quinta-feira os feridos internados em um hospital de Toledo, a quase 70 quilômetros do local do acidente, informou a Casa Real. No município de Urda, o mais próximo ao local da tragédia, uma escola foi habilitada para receber parentes das vítimas, com apoio de funcionários da Cruz Vermelha.
“Serão horas duras e longas”, afirmou Carmen García, psicóloga que atende as famílias no centro improvisado.
“Temos pessoas em estado de choque, que não têm consciência do que aconteceu, pessoas irritadas, pessoas tristes, preocupadas, o luto vai ser complicado”, acrescentou Carmen García.
O pároco de Urda, José Miguel Fernández, compareceu para prestar apoio às famílias e descreveu o estado emocional dos parentes: “Muitos deles estavam serenos, outros nervosos, sem esperança, queriam saber logo e ter notícias de seus entes queridos”.
O acidente ocorreu a um mês das eleições gerais antecipadas, convocadas para 29 de novembro pelo primeiro-ministro Sánchez. O principal sindicato de maquinistas (SEMAF) cumpriu nesta quinta-feira um dia de greve que já havia sido anunciado antes da tragédia.
